quarta-feira, 1 de agosto de 2007

"E agora, José?"

“A melhor maneira de obter felicidade é proporcionar felicidade à outras pessoas. Tentem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram e, quando chegar a vez de morrerem, possam morrer felizes com o sentimento de que, pelo menos, não desperdiçaram o tempo, mas sim fizeram o melhor que puderam.”
Baden-Powell, fundador do escotismo, em sua Carta de Despedida

Hoje, às 8 horas da manhã, milhões de escoteiros e ex-coteiros espalhados pelo mundo, cada um em seu fuso horário, renovaram sua promessa escoteira. São 28 milhões de escoteiros filiados à WOSM (World Organization of Scout Moviment) e estima-se que até hoje mais de 300 milhões de pessoas tenham sido influenciadas pelo escotismo direta ou indiretamente.

Quando, há mais de 100 anos, um general inglês retornou à sua pátria, viu que as coisas não iam bem para a juventude, e decidiu lançar um livro, na forma de fascículos, de dinâmicas de grupo, jogos e conhecimento de acampamento que os jovens poderiam praticar sozinhos. Naquela época, a Inglaterra não passava por um de seus melhores momentos. Os esforços de guerra sugaram recusrsos fiananceiros, os pais trabalhavam e os jovens vagavam pelas ruas sem realizar nada que fosse útil ou proveitoso. O general se chamava Robert Stephenson Smyth Baden-Powell e seu livro era o Scouting for Boys. O livro foi um sucesso e, em pouco tempo, já haviam muitos jovens reunidos para realizar aqueles jogos. Tantos jovens que os adultos acharam que era necessário organizá-los em grupos com a supervisão de adultos. Em 1 de agosto de 1907 B.P., como Baden-Powell ficou conhecido, realizou o primeiro acampamento escoteiro. E assim surgiu o Escotismo.

Aos olhos mais leigos, o escotismo é "um grupo de crianças vestidas de palhaço comandas por um palhaço vestida de criança". Mas aqueles que se demoram mais na observação percebem, e muitas vezes surpreendem-se, com a profundidade do que é dito e feito. Ser escoteiro é uma opção política. É aderir VOLUNTARIAMENTE a um código moral e ético. E isso é uma coisa maravilhosa. É quando, por menor que seja, rompe-se com o continuísmo, com a imposição dos valores, e toma-se a própria vida nas mão e diz: eu sou, eu quero e eu opto por isso para a minha vida. E isso é maravilhoso não só no escotismo, mas em QUALQUER lugar, em QUALQUER organização, em QUALQUER indivíduo. Esse é o nosso maior diferencial: somos conscientes de nós.

Mas até onde vai essa consciência? Ela ultrapassa nosso próprio umbigo? Pois uma coisa é tornar-se consciente de si e fazer uma escolha, outra é arcar com as consqüências dessa escolha, e as conseqüências da escolha de ser escoteiro vão muito além do próprio umbigo. É muito mais que ir a um grupo escoteiro e se divertir um dia por semana. É fazer de TODA a sua vida um extensão dessa escolha, ou melhor, assumir para toda ela essa escolha.

O que você lê, o que ouve, com quem concorda, em quem vota. Tudo isso faz parte dessa escolha. Não existe cartilha: existe ética. Um grande amigo, e um antico chefe escoteiro meu em Ouro Preto, Petrus, dizia que o escoteio conhece apenas uma maneira de fazer as coisas: a certa. E era exatamente isso que ele dizia.

O que é certo cada um escolhe por si, mas quem é escoteiro já sabe de algumas coisas: os dez artigo da lei escoteira são o guia, são nosso código moral e ético declarado. Fazer o certo é ser coerente com ele e com quaisquer outros códigos declarados ou não se se assuma.

Ser coerente com o escotismo é defender um mundode igualdade, um mundo sem míséria. UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL. A UEB (União dos Escoteiros do Brasil) assumiu que o projeto de Insígnia de B.P. deve ser em cima de um dos 8 temas do milênio da ONU. A WOSM, pela primeira vez em quase um século, lançou a pouco tempo um documento de orientação aos grupos escoteiros de todo o mundo, pedindo para que eles se voltem ao ativismo social e político em nome da paz. A própria mensagem de 1º de Agosto do Secretário Geral da WOSM, Eduardo Missoni, leva a isso. Ele diz:

"As “citizens of the world”, we have a responsibility.
As Scouts our duty is to actively engage for creating a better world.
Let's be firmly guided by our common Promise and face the future with optimism and courage.
As sisters and brothers, recognising in every human being a friend, whatever her or his beliefs or situation, let's devote all our energies to building Peace."
(http://www.scout.org/en/information_events/events/2007/
centenary_news/message_august_1st)

Há apenas mais uma coisa a dizer:

"Um mundo Uma promessa!"
"One world One promisse!"

Um grande abraço a todos, irmãos e amigos, e que o sol que nasce agora nesse novo século de movimento escoteiro possa iluminar os caminhos de todos ajudando a, efetivamente, fazer um mundo melhor.

Florianópolis, 1 de agosto de 2007.
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