terça-feira, 25 de setembro de 2007

O caso da camisinha cheia de porra

Estava eu conversando recentemente com um amigo e falando besteiras, permitindo que um assunto levasse a outro e este a um terceiro, e assim por diante. Em um dado momento falávamos do Grande problema das camisinhas de látex poluíndo o meio ambiente e demorando para se decompor, e chegamos à questão de uma criança de 4 anos que cata comida no lixão de comer uma comida que estava encostada em uma camisinha cheia de porra.

E dissertamos como seria visto como um grande problema a camisinha cheia de porra e uma criança de 4 anos encontrá-la, e da contaminação da comida por essa camisinha cheia de porra. Imaginem uma criança de 4 ano com porra na boca porque a camisinha estava encostada em um pão, o qual ela está comendo!

A porra da camisinha cheia de porra é um perigo! Principalmente porque se origina de um ato obsceno. E haveriam discussões mil sobre a obscenidade que é uma camisinha cheia de porra, e os maiores especialistas em doenças venéreas falariam das chances daquela criança de 4 anos contrair tais doenças. Isso, certamente, é pior do que diriam os nutricionistas, que a tal porra que está dentro da camisinha não faria, nutricionalmente, mal à criança, pois é composta por tal, tal e tal nutriente, a menos que a validade da porra em específico estivesse vencida.

Então viria a censura, e diria que naquela hora do dia não é permitido a palavra porra na TV ou no rádio, pois porra é uma palavra suja. Se quisessem discutir esse assunto, devem se referir à porra como sêmen. Algum purista bizarro sugeriria a palavra longonha, e um colunista de algum jornal ou revista revelaria as enormes diferenças entre porra, sêmen e longonha, que a primeira é o que o homem esporra nos peitos da parceira no ato sexual, que o segundo é o que o papai planta na barriga da mamãe para a criança nascer, e que o terceiro é uma coisa que ninguém fala.

Pouco depois disso, órgãos e ONGs que protegem direitos da criança e da adolescência entrariam com ações e projetos de lei que proibiriam o lixo com camisinhas cheias de porra de irem para o lixão, e as prefeituras criariam órgãos fiscalizadores que procurariam lixos com camisinhas cheias de porra para que elas não fossem para os mesmos lixões para onde vão os lixos com comida.

E organizações verdes fariam protestos pelados e com camisinhas no pinto pela criação de um lixão só para itens sexuais. Mas algo bem feito, que impedisse o contato da porra com o solo, para não contaminar o lençol freático e que impedisse os pássaros de comerem a camisinha cheia de porra e morrerem engasgados com elas.

E, apesar disso tudo e muito mais que fariam os salvadores do mundo, em algum lugar perdido, em algum canto do mundo, alguém, um desconhecido, um anônimo, faria a pergunta certa:

"Por que uma garotinha tem que vasculhar lixão para comer?"