segunda-feira, 24 de novembro de 2008

E o tempo passa...

Hoje, dia 22 de novembro de 2008, faz exatamente um ano que pisei na Cidade de Minas vindo de Nossa Senhora do Desterro, abandonando um curso superior com mais de 90% das disciplinas concluídas e muita infelicidade vivida.

Durante os último 365 dias, eu vivenciei muitas coisas. Sucessos e fracasso. Ouvi um médico dizer que meu pai não deve ter uma sobrevida longa. Estou tendo vários feedbacks negativos da minha mãe e às vezes me sinto muito mal. Tive uma namorada que me fez muito bem antes de namorarmos e muito mal durante e depois do namoro, principalmente no fim.

Mas a análise que posso fazer desse ano é que foi um ano MUITO bom. Eu creci como pessoa. E investi em mim. Emagreci mais de 5 quilos, me associei com pessoas certas na vida profissional e na pessoal. Tenho, talvez pela primeira vez em muitos anos, uma perspectiva profissional real. Estou fazendo planos para o futuro. Estou aliando ao meu discurso uma prática de vida saudável e sustentável e percebo que minha vidatem se encaixado, no sentido que todas as coisas que faço e busco estão se encaixando, como se fosse uma coisa una, o que, aliás, o é!

Não consigo, ainda, fazer tudo o que quero, e ainda me falta muito o que crescer e fazer. Mas sabe quando tudo está latente, e é um aqueles momentos críticos: ou vai ou racha? Estou nele. E, apesar de manter meu nível de expectativa baixo, eu estou acreditando que vai! inhas projeções são otimistas (se fossem pessimistas eu nem ia em frente), mas não em demasia. Eu tenho feito projeçoes positivas e realistas, plausíveis.

Como um todo, começo a acreditar que minha volta de Floripa seja mais importante para minha vida que minha ida para Floripa. Mas que essa experiência, por pior que tenha sido, me trouxe coisas e pessoas maravilhosas que me fizeram bem. Não as nomearei aqui, e justificarei com o clichê que fazendo-o eu certamente esquecerei alguém.

Nesse ano, eu consegui me reestruturar como ser humano, e apesar de ainda estar um pouco fraco, eu tenho me fortalecido. Devo muito disso a alguns poucos amigos especiais. Muitos outros me ajudaram em menor escala, e todos foram importantes. Pra mim, fica que 2008 foi "o ano da fênix".

Que 2009 seja do crescimento!

Belo Horizonte, 22 de novembro de 2008.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sobre Filosofia e dia-a-dia

Quase sempre que eu falo que estudei 1,5 ano de Filosofia na UFMG ou que uma das áreas da Letras que mais me agrada é a Filosofia da Linguagem, eu ouço que "filosofia é complicada" ou "filosofia é difícil". E eu sempre discordo disso.

O leitor leigo pode dizer que eu discordo porque eu estudei, e tive tempo para debater todos aqueles filósofos com nomes difíceis, como Nietzsche, Schopenhauer e Wittgenstein. E que aprendi o suficiente para lê-los no original. Mas é aí que se enganam. Ler filósofos antigos não é filosofia, mas história da filosofia. Eu acho certos temas abordados por alguns filósofos, e a forma como eles abordam, interessantes. Mas como um todo, encontramos pérolas da chatice universal, como dizia Paulo Margutti, professor de Lógica Formal da UFMG no ido ano 2000.

Porém, é preciso perceber que filosofia é uma prática reflexiva, e que não se resume aos "grandes temas" do estudo acadêmico da disciplina. Qualquer tipo de observação do mundo seguida, imediatamente ou não, de uma reflexão crítica lógica é uma prática filosfófica. Desde o olhar de uma criança frente à imensidão do mar até a reflexão mais profunda de um filósofo sobre estética ou metafísica: tudo é tema da filosofia e tudo o que é reflexão crítica lógica é filosofia, sim.

Independe do conhecimento dos cânones como Russel ou Aristóteles. Independe de idade ou gênero. Independe de instrução formal. Independe de ética. Independe de etnia. Independe de qualquer fator que não seja a capacidade da reflexão lógica.

Aliás, muito do que temos como ditados populares são frases de filósofos cânones. "O que não me mata me torna mais forte" é Nietzsche e "a beleza está nos olhos de quem a vê" é a simplificação de um conceito de Kant. Isso significa que filosofia está no nosso dia-a-dia sem que percebamos.

E, sem que percebamos, fazemos cálculos lógicos complexos, e acertamos na maioria das vezes. Falamos que o sistema de transporte coletivo é ruim, damos os motivos, sugerimos modificações e explanamos o porque dessa modificações e, às vezes, como e onde fazê-las. E isso tudo com o estranho que, por um acaso, está sentado ao seu lado em um ônibus lotado parado no engarrafamento nosso de cada dia. Por menos que pareça, isso não passa de prática filosófica aplicada ao dia-a-dia.

E todas as sugestões advindas de nossa reflexão sobre nossa experiência profissional de como melhorar o serviço que não temos coragem de contar ao chefe, mas comentamos com o colega e descobrimos que ele concorda e que já pensava exatamente aquilo? Prática filosófica sobre nosso trabalho.

E assim vai uma infindável lista de filosofia aplicada que fazemos no nosso dia-a-dia, e que fazemos desde o momento em que adquirimos uma língua.

Dominar um dos grande temas da filosofia acadêmica talvez seja complicado, mas não mais que o domínio de um marceneiro experiente sobre a madeira: ambos são resultados de dedicação. Filosofia não é complicada ou difícil. Filosofia é uma prática humana recorrente e permanente a todos os seres humanos. E mais vulgar do que supõe nosso vão senso comum.

Belo Horizonte, 8 de agosto de 2008.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

E aí, negão?

Tá, o negão ganhou! Grandes coisas! Muita gente colocou na figura de Obama uma esperança quase sem limite. O mundo acompanhou a eleição. Umas preocupadas com o próprio futuro, apesar de morarem no interior do interior do interior de um país cujo nome eu nem sei, outras para tentar fiscalizar a eleição mais confusa do mundo, a estados-unidense. Afinal, o EUA é um país que não possui unidade eleitoral para os cargos federais: cada estado vota da forma como quer, o que dificuta a fiscalização e permite manipulações bizarras do sistema, como a que aconteceu em 2000, na primeira vitória de G. W. Bush, com a anulação dos votos sde vários distritos negros da Flórida e em 2004 com o cancelamento do registro de eleitor de partidário anti-Bush.

Mas será que vai mudar? Bem, alguma coisa sempre muda. Alguma coisa pra melhor e alguma coisa pra pior. Barack Obama não é a solução do mundo. Não é o consertador de tudo. Obama não passa de um homem comum, com qualidades e defeitos. Pode parecer moderno, mas é um intelectual como FHC, professor universitário e coisas do gênero. FHC, aliás, já foi o sonho do Brasil. Algumas coisas mudaram para melhor, outras para pior.

No fundo, o presidente de qualquer país que conte com um parlamento e um sistema judicial estabelecido não tem como fazer milagre. Milagre que, aliás, é da alçada divina, e não da humana. O negão pode, até, apontar novos rumos para seu povo. Mas uma coisa é uma pessoa se mover, outra é o leviatã estatal. No Brasil, lembrem-se, "a esperança venceu o medo". E algumas coisas mudaram para melhor, e outras para pior. Normal.

Esperança é isso: é uma espera. E o povo estados-unidense é exatamente igual ao brasileiro: um povo que espera. Espera seu Sebastião. E Obama não é ele. O romantismo inerente ao ser humano, devido ao seu elemento onírico é mais uma vez explorado de forma vil. E, pasmem, quem o explorou melhor foi Obama, e não McCain. Sim, explorou. Ele tinha uma equipe bem preparada para isso. E, não, ele não é bonzinho. Ele é um político profissional que não chegou aonde chegou aplicando mandamentos escoteiros.

E agora, findada a campanha, ele vai ter que pagar o preço de suas alianças. Seu principal adversário já perguntava da onde vinha a verba que Obama aceitou e que não era de financiamento público. A pergunta cabe. Da onde vem?

Outra coisa para se prestar atenção é que Obama não é um idealista. Fosse, seria um dos 14 candidatos que nunca ouvimos falar, de partidos pequenos. Não. Ele era o candidato de um dos dois partidos gigantes, Democrata e Republicano. E qual a diferença entre os dois? Bem, um é de direita, o outro é de direita, bem ao estilo fast-food tão difundido naquele país.

Enfim, Barack Obama não é o salvador do mundo, nem mesmo o salvador do EUA. É um candidato padrão do Partido Democrata, assim como o era Bill Clinton, que também não salvou o mundo.

Ah! Mas ele é negão. Hum... Sim, é negão de Havard e 5. Avenida. Os interesses dele não são os interesses dos negros dos guetos, mas dos brancos da Broadway.

Barack Obama é um político padrão.

08 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O "verdadeiro" evangelho segundo José

[Aviso aos incautos: esse texto é uma FICÇÃO, assim como a bíblia, então não me venham com chorumelas!]

Há alguns dias minha esposa, Maria, começou a me tratar diferente. Eu sempre entendi a situação dela, e me casei com ela porque ela é uma viúva jovem, sem filhos e ainda virgem, e eu, também viúvo, precisava de uma mulher boa para me ajudar a criar meus filhos. Eu sempre respeitei o luto dela, e ela nunca recusou meu toque de carinho. Dormíamos abraçados nas noites frias. Mas isso não acontece há alguns dias, e tem feito frio.

Ontem me apareceu um anjo do senhor. Ele me disse para ter paciência, pois Maria, minha querida Maria, a qual eu aprendera a amar nesses últimos meses, estava grávida, e esse era o motivo de ela estar me tratando estranho. Disse o tal anjo que não era para eu me preocupar, pois ela ainda era virgem, que estava grávida do Espírito Santo, e que seu filho seria o tão aguardado messias, e que eu deveria cuidar do Deus vivo como se fosse meu filho.

Num primeiro momento eu até gostei da notícia. Me alegrei por poder servir meu Deus, e comecei a planejar a vida do moleque. Daria a ele o nome de Emanuel, como previsto que seria o nome do messias.

Mas, então, numa noite a sós ao pé de uma fogueira, tudo mudou. Eu percebi que o Deus que eu servira era um escroto. Que ele me traiu com minha própria esposa, e que ainda queria que eu apoiasse isso criando o messias. Aquele sentimento tão humano de se sentir traído me consumiu e percebi que em mim nascia um outro, ou melhor, saía do ovo um outro José, que estava sendo encubado há décadas. Um José forte e que sabia combater seus inimigos.

Mas, então, veio a dúvida: como combater um inimigo que é o criador de tudo o que existe? E que todo mundo acredita ser bom? A única coisa que consegui pensar foi: "O inimigo de meu inimigo é meu amigo". Parti, então, para Jerusalém e Belém para procurar textos obscuros da cabala. Levei minha esposa numa mula. Encontrei o que queria e, então, viajei mais um pouco com eles para encontrar os ingredientes certos.

Mas o principal ingrediente eu já tinha: meu ódio! E numa noite, enquanto Maria dormia tranquila, me afastei com um carneiro que comprei para essa situação e sacrifiquei-o a Satanás, aquele que conhece a luz e a sombra, coisa que passei a conhecer no momento que aquele escroto do Javé me traiu com minha mulher, sem nem ao menos ela ter consentido. Fosse ele judeu, seria apedrejado por estupro!

E apareceu-me o dito-cujo: o primeiro dos caídos, antes Lúcifer, agora Satã. E conversamos amigavelmente. Sabem que ele é um sujeito divertido? Ele me contou sua visão dos acontecidos. Não sei bem se ele tinha razão, mas não me parece mais tão mau. Me parece, aliás, um concorrente bem ao tipo de Jeová: conhecedor da luz e da sombra, e bem escroto. Mas ele não quer mandar nos homens: quer que os homens possam fazer o que querem. E, pasmem, nunca estuprou mulher nenhuma pra por um filho no mundo: foram todos concebidos com consentimento.

Ali começamos a acertar os detalhes de nosso plano sórdido. Combinamos enviar o moleque pro oriente, onde os deuses eram muitos e eram bons e maus. E onde ele aprenderia a ser um milagreiro. Sim! Um milagreiro. E decidimos seu nome: Jesus. Um nome comum. E um pouco do seu destino. Satã colocaria em seu caminho um jovem de sua própria lavra, chamado Pedro, para que ele conquistasse a confiança de Jesus, que já não era Emanuel. E Satã acertou com Caifaz a morte de Jesus, que seria horrenda, como deve ser a morte dos bastardos.

O que aconteceu, ou algo próximo daquilo, você puderam ler nos escritos de Marcos, Lucas, Mateus e Tiago. Mas, de todos, pensem em uma frase: "Pedro, tu és pedra e sobre ti edificarei minha igreja!".

Quanto a mim e Maria tudo melhorou. Tivemos filhos legítimos e fomos felizes. Ela até chorou na morte do bastardo, que era filho dela, mas não meu. Mas, sabem, foi nos meus carinhos que ela procurou consolo, não nos do estuprador.