segunda-feira, 10 de novembro de 2008

E aí, negão?

Tá, o negão ganhou! Grandes coisas! Muita gente colocou na figura de Obama uma esperança quase sem limite. O mundo acompanhou a eleição. Umas preocupadas com o próprio futuro, apesar de morarem no interior do interior do interior de um país cujo nome eu nem sei, outras para tentar fiscalizar a eleição mais confusa do mundo, a estados-unidense. Afinal, o EUA é um país que não possui unidade eleitoral para os cargos federais: cada estado vota da forma como quer, o que dificuta a fiscalização e permite manipulações bizarras do sistema, como a que aconteceu em 2000, na primeira vitória de G. W. Bush, com a anulação dos votos sde vários distritos negros da Flórida e em 2004 com o cancelamento do registro de eleitor de partidário anti-Bush.

Mas será que vai mudar? Bem, alguma coisa sempre muda. Alguma coisa pra melhor e alguma coisa pra pior. Barack Obama não é a solução do mundo. Não é o consertador de tudo. Obama não passa de um homem comum, com qualidades e defeitos. Pode parecer moderno, mas é um intelectual como FHC, professor universitário e coisas do gênero. FHC, aliás, já foi o sonho do Brasil. Algumas coisas mudaram para melhor, outras para pior.

No fundo, o presidente de qualquer país que conte com um parlamento e um sistema judicial estabelecido não tem como fazer milagre. Milagre que, aliás, é da alçada divina, e não da humana. O negão pode, até, apontar novos rumos para seu povo. Mas uma coisa é uma pessoa se mover, outra é o leviatã estatal. No Brasil, lembrem-se, "a esperança venceu o medo". E algumas coisas mudaram para melhor, e outras para pior. Normal.

Esperança é isso: é uma espera. E o povo estados-unidense é exatamente igual ao brasileiro: um povo que espera. Espera seu Sebastião. E Obama não é ele. O romantismo inerente ao ser humano, devido ao seu elemento onírico é mais uma vez explorado de forma vil. E, pasmem, quem o explorou melhor foi Obama, e não McCain. Sim, explorou. Ele tinha uma equipe bem preparada para isso. E, não, ele não é bonzinho. Ele é um político profissional que não chegou aonde chegou aplicando mandamentos escoteiros.

E agora, findada a campanha, ele vai ter que pagar o preço de suas alianças. Seu principal adversário já perguntava da onde vinha a verba que Obama aceitou e que não era de financiamento público. A pergunta cabe. Da onde vem?

Outra coisa para se prestar atenção é que Obama não é um idealista. Fosse, seria um dos 14 candidatos que nunca ouvimos falar, de partidos pequenos. Não. Ele era o candidato de um dos dois partidos gigantes, Democrata e Republicano. E qual a diferença entre os dois? Bem, um é de direita, o outro é de direita, bem ao estilo fast-food tão difundido naquele país.

Enfim, Barack Obama não é o salvador do mundo, nem mesmo o salvador do EUA. É um candidato padrão do Partido Democrata, assim como o era Bill Clinton, que também não salvou o mundo.

Ah! Mas ele é negão. Hum... Sim, é negão de Havard e 5. Avenida. Os interesses dele não são os interesses dos negros dos guetos, mas dos brancos da Broadway.

Barack Obama é um político padrão.

08 de novembro de 2008
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