segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O "verdadeiro" evangelho segundo José

[Aviso aos incautos: esse texto é uma FICÇÃO, assim como a bíblia, então não me venham com chorumelas!]

Há alguns dias minha esposa, Maria, começou a me tratar diferente. Eu sempre entendi a situação dela, e me casei com ela porque ela é uma viúva jovem, sem filhos e ainda virgem, e eu, também viúvo, precisava de uma mulher boa para me ajudar a criar meus filhos. Eu sempre respeitei o luto dela, e ela nunca recusou meu toque de carinho. Dormíamos abraçados nas noites frias. Mas isso não acontece há alguns dias, e tem feito frio.

Ontem me apareceu um anjo do senhor. Ele me disse para ter paciência, pois Maria, minha querida Maria, a qual eu aprendera a amar nesses últimos meses, estava grávida, e esse era o motivo de ela estar me tratando estranho. Disse o tal anjo que não era para eu me preocupar, pois ela ainda era virgem, que estava grávida do Espírito Santo, e que seu filho seria o tão aguardado messias, e que eu deveria cuidar do Deus vivo como se fosse meu filho.

Num primeiro momento eu até gostei da notícia. Me alegrei por poder servir meu Deus, e comecei a planejar a vida do moleque. Daria a ele o nome de Emanuel, como previsto que seria o nome do messias.

Mas, então, numa noite a sós ao pé de uma fogueira, tudo mudou. Eu percebi que o Deus que eu servira era um escroto. Que ele me traiu com minha própria esposa, e que ainda queria que eu apoiasse isso criando o messias. Aquele sentimento tão humano de se sentir traído me consumiu e percebi que em mim nascia um outro, ou melhor, saía do ovo um outro José, que estava sendo encubado há décadas. Um José forte e que sabia combater seus inimigos.

Mas, então, veio a dúvida: como combater um inimigo que é o criador de tudo o que existe? E que todo mundo acredita ser bom? A única coisa que consegui pensar foi: "O inimigo de meu inimigo é meu amigo". Parti, então, para Jerusalém e Belém para procurar textos obscuros da cabala. Levei minha esposa numa mula. Encontrei o que queria e, então, viajei mais um pouco com eles para encontrar os ingredientes certos.

Mas o principal ingrediente eu já tinha: meu ódio! E numa noite, enquanto Maria dormia tranquila, me afastei com um carneiro que comprei para essa situação e sacrifiquei-o a Satanás, aquele que conhece a luz e a sombra, coisa que passei a conhecer no momento que aquele escroto do Javé me traiu com minha mulher, sem nem ao menos ela ter consentido. Fosse ele judeu, seria apedrejado por estupro!

E apareceu-me o dito-cujo: o primeiro dos caídos, antes Lúcifer, agora Satã. E conversamos amigavelmente. Sabem que ele é um sujeito divertido? Ele me contou sua visão dos acontecidos. Não sei bem se ele tinha razão, mas não me parece mais tão mau. Me parece, aliás, um concorrente bem ao tipo de Jeová: conhecedor da luz e da sombra, e bem escroto. Mas ele não quer mandar nos homens: quer que os homens possam fazer o que querem. E, pasmem, nunca estuprou mulher nenhuma pra por um filho no mundo: foram todos concebidos com consentimento.

Ali começamos a acertar os detalhes de nosso plano sórdido. Combinamos enviar o moleque pro oriente, onde os deuses eram muitos e eram bons e maus. E onde ele aprenderia a ser um milagreiro. Sim! Um milagreiro. E decidimos seu nome: Jesus. Um nome comum. E um pouco do seu destino. Satã colocaria em seu caminho um jovem de sua própria lavra, chamado Pedro, para que ele conquistasse a confiança de Jesus, que já não era Emanuel. E Satã acertou com Caifaz a morte de Jesus, que seria horrenda, como deve ser a morte dos bastardos.

O que aconteceu, ou algo próximo daquilo, você puderam ler nos escritos de Marcos, Lucas, Mateus e Tiago. Mas, de todos, pensem em uma frase: "Pedro, tu és pedra e sobre ti edificarei minha igreja!".

Quanto a mim e Maria tudo melhorou. Tivemos filhos legítimos e fomos felizes. Ela até chorou na morte do bastardo, que era filho dela, mas não meu. Mas, sabem, foi nos meus carinhos que ela procurou consolo, não nos do estuprador.
Postar um comentário