segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

"The show must go on!"

Meus textos aqui sempre foram bem viscerais, por menos que alguns possam aparecer. Hoje não há como ser diferente.

Há algum tempo eu tenho acompanhado velórios de entes queridos de amigos. Amigos, primos, tios e pais, entre outros entes queridos, de amigos meus deixaram essa existência. Muitos desses eu não conhecia, mas era meu papel estar lá para oferecer um ombro e um abraço àquele que divide sua jornada comigo, que me topou como companheiro.

Hoje foi diferente. Eu não era o convidado: era o anfitrião. Hoje eu enterrei meu próprio pai. E, sim, isso dói. Na verdade, é uma sensação meio estranha. Por um lado tem a dor: uma emoção forte. Por outro tem a necessidade de se cuidar daqueles que também sofrem, mas a idade já lhes tirou a força do corpo (apesar de ainda serem forte na alma). Esses são os tios e irmãos de meu pai.

Sabe, alguma coisa muda. Eu ainda não sei bem o que é. Há certamente a mudança clássica: a morte do progenitor sempre "eleva" os filhos varões a um posto de mais responsabilidade. E há a mudança da dinâmica de conselhos: a morte do pai tira aquele que normalmente é um dos nossos melhores conselheiros. No fundo é algo que se perde na estrutura da família, e não sabemos bem como reajeitá-la; mas é também algo que se perde em nossa própria estrutura de ser humano, e não sabemos reajeitá-la.

Mas a vida continua. E a vida continua emocionando. Hoje eu tive uma emoção que foi mais forte do que a da perda, a da dor. Eu vi pessoas que não via há mais de 5 ou 6 anos. Elas apareceram para dar um abraço em mim, no meu irmão e na minha mãe. E alguns para fazer, também, a última despedidade meu pai. E minha mãe reencontrou amigos e companheiros que não via há mais de 10 anos. Essas pessoas, que deram um tempinho em suas vidas, vidas essas que nos separaram do convívio, são as que emocionam.

Mas não só elas: ter a presença de muitas pessoas, fosse pela despedida, fosse por puro apoio aos que ficavam, faz-nos ter a sensação de que alguma coisa fazemos de certo nessa vida. Claro que há aqueles que vão como que por obrigação, mas prefiro acreditar que são minoria. E, no meu caso, foram.

Meus amigos são, perdão pela expressão, "do caralho!". Não me sentio desamparado. Estiveram lá os Escoteiros, os Guerreiros, os do CDK&AK, os do Kahlua, do Copo Sujo, dos Podrões e de uma sem-número de grupos de pessoas que nesses meus quase 30 anos de vida me apoiaram e me confortaram nas mais diversas situações. E recebi telefonemas de vários lugares do país, e as mensagens de apoio ainda não pararam de chegar de várias partes do mundo.

Quanto a mim, bem, como diz a música do Queen da qual tirei o título desse post, o show tem que continuar. E é exatamente isso que vai acontecer. Vou continuar tocando, reajeitando minha vida e tocando minhas coisas. Sei que ainda doerá por um tempo, e que talvez não seja uma parte fácil da jornada. Mas, sabem, eu tenho bons amigos pra me ajudar.

Muito obrigado a todos vocês. De coraçao. Obrigado.