sexta-feira, 24 de abril de 2009

Be free. Be linux!

Muitas pessoas sabem que eu utilizo linux no meu notebook. E muitas pessoas me perguntam por que. Responderei aqui.

Existem 3 sistemas operacionais muito utilizados para desktops (e notebooks) hoje: Windows, OS X e Linux. Cada um deles tem suas versões, distribuições, ect.

A grande vantagem do Windows é o número de aplicativos desenvolvidos para rodar nele, desde jogos até softs profissionais de alta performance.

A grande vantagem do OS X é que ele é desenvolvido pela Apple para rodar na arquitetura do Mac. É muito estável e confiável. Mas rodar bem mesmo, é no Mac.

A grande vantagem do linux é, na minha opinião, a comunidade. Linux é mais que um sistema operacional: é uma comunidade. É estável, bonito e seguro. É barato, também, pois é gratuito. Mas a comunidade que te ajuda e te incentiva a aprender é, no meu ver, o principal.

Se excluirmos o OS X, e assumirmos que ele é perfeito para Mac, então sobra-nos Windows e Linux para os demais desktops. Como eu não uso jogos ou programas que não existam equivalentes bons em opensource, não preciso da grande vantagem do Windows.

Mas tem mais um fator, o que para mim é fundamental. Linux é sustentável. É sustentável financeiramente porque qualquer pessoa, física ou jurídica pode usar gratuitamente. Pensem em uma cooperativa de artesãos que não possuem verba suficiente para investir em equipamento, mas que precisam de 1 computador para a parte administrativa.

Então eles compram uma máquina de 1000 reais. Pagam mais 200 reais de Windows Vista Business OEM, 400 reais de MS-Office Standart e 100 reais do Norton Internet Security 2009. Pra começar, o custo aumenta em 70%, passando de 1000 para 1700. Um hardware de 1000 reais vai ter problemas para rodar o pesado Windows Vista, e, por melhor que seja o soft de proteção de rede da Symantec, o computador está exposto a muito mais riscos do que se fosse em Linux.

Ou:

Então eles compram uma máquina de 1000 reais. Não pagam nada pelo Linux e pelo OpenOffice. Mantêm o custo em 1000 reais. O OpenOffice funciona perfeitamente bem (eu uso sem problema nenhum), é mais leve e mais integrado que o MS-Office. Se não acreditam, instale em sua máquina. Ele roda em Linux, Windows, OS X e OpenSolaris entre outros sistemas operacionais.

Mas sustentabilidade não para por aí. Linux é sustentável ambientalmente. o que fazer com aquela máquina antiga, digamos, um Pentium 2, com 128mb de ram e 4gb de disco rígido? Use linux e verá que ela funciona muito bem. Então a máquina que ainda funciona não vai para o lixo, não entulha nossos aterros sanitários (Acham o que? Que tem reciclagem? Existir, existe. Mas isso aqui é Brasil!) e serve para muita coisa.

Mas aí vem a grande questão... "Mas linux é tão difícil de mexer...". Isso era verdade em 95. Hoje temos várias distribuições com interfaces gráficas extremamente bonitas, ergométricas e funcionais. Tem mais opções gráficas que o Windows, essas opções são mais leves, ou seja, roda em computadores piores que o Windows exigiria. E se têm alguma dúvida, vejam meu desktop:


Lembro que eu personalizei para o que eu queria. Você pode fazer o mesmo.

Agora a pergunta que eu faço é: por que alguém ainda utiliza Windows?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ode dos 30 anos

Então ontem eu cheguei aos 30 anos. Nesse exato momento eu estou com pensamentos introspectivos, pensando muita coisa pelo que passei. Quando tinha 19 anos, o professor Ricardo Fenatti da filosofia da UFMG disse em sala que o bom filósofo era aquele que no final da vida tinha mais perguntas que respostas... Naquela época eu acreditava que para isso era preciso se desfazer das certezas. Hoje eu sei que não é bem assim. Minhas certezas aumentaram com o tempo, mas para cada certeza, surgiu-me pelo menos duas formas de vê-las (pelo menos para a maioria) e pelo menos 2 dúvidas ligadas a ela. Acho que se o caminho é me tornar um bom filósofo, estou indo bem. :D

Mas será que é isso o que quero? Cada dia mais o mundo me parece mais bizarro e as pessoas mais analfabetas. Não analfabetas de ler e escrever, mas analfabetos funcionais da própria vida. Parece que elas esqueceram que são responsáveis pela própria existência. Ou que, o que me parece mais provável, nunca souberam.

No fundo, esses trinta anos foram dedicados a tomar conta de mim, por mais bizarros que fossem ao caminho. Isso me levou para longe e de volta. A um passo do surto (do qual eu não precisei voltar por nunca ter estado (eu acho), felizmente) e mais fundo na toca do coelho da realidade. Cada coisa que leio, seja de religião, de ciência ou de filosofia, me convence mais e mais que não existe coisa mais surreal que a própria realidade. Imaginem que um quase nada explode e cria isso tudo que achamos que existe. Aí isso tudo se transforma: estrelas, galáxias, planetas, água, vida baseada em carbono. Bactérias, trilobitas, dinossauros, macacos, nós. E então, no mais puro desentendimento de nós mesmos, nos voltamos para algo que não sabemos se existe que chamamos de deus.

O fundo, tudo é fé. Uns crêem num ente criador. Outros em silogismos lógicos. Outros, pasmem, em ciência. E o seu mundo é como você crê nele. É o gato de Schrödinger real. Para os céticos, não há a possibilidade de Deus e, no mundo deles, realmente não existe Deus. Para os teístas, não existe a possibilidade de não haver Deus, e no mundo deles existe Deus. Isso tudo junto. A superposição dos estados é uma coisa linda!

E, no fim de minhas escolhas, sejam elas a priori, analíticas ou sintéticas, eu cheguei aqui, aos trinta anos. E posso me orgulhar de ao menos uma coisa: cheguei bem aos trinta. Não acho que tenho 20 anos e, principalmente, tenho certeza que não quero ter 20 anos. Gosto da minha idade. Sempre gostei. Aos 15, gostava de ter 15. Aos 20, gostava de ter 20. E assim foi aos 25 e é aos 30. No fim, creio que meu processo tem sido gostoso, prazeroso. E é isso o que importa: eu estou bem.

A todos que por essas 3 décadas dividiram esse caminho comigo agredeço de coração o carinho e a confiança.