terça-feira, 14 de abril de 2009

Ode dos 30 anos

Então ontem eu cheguei aos 30 anos. Nesse exato momento eu estou com pensamentos introspectivos, pensando muita coisa pelo que passei. Quando tinha 19 anos, o professor Ricardo Fenatti da filosofia da UFMG disse em sala que o bom filósofo era aquele que no final da vida tinha mais perguntas que respostas... Naquela época eu acreditava que para isso era preciso se desfazer das certezas. Hoje eu sei que não é bem assim. Minhas certezas aumentaram com o tempo, mas para cada certeza, surgiu-me pelo menos duas formas de vê-las (pelo menos para a maioria) e pelo menos 2 dúvidas ligadas a ela. Acho que se o caminho é me tornar um bom filósofo, estou indo bem. :D

Mas será que é isso o que quero? Cada dia mais o mundo me parece mais bizarro e as pessoas mais analfabetas. Não analfabetas de ler e escrever, mas analfabetos funcionais da própria vida. Parece que elas esqueceram que são responsáveis pela própria existência. Ou que, o que me parece mais provável, nunca souberam.

No fundo, esses trinta anos foram dedicados a tomar conta de mim, por mais bizarros que fossem ao caminho. Isso me levou para longe e de volta. A um passo do surto (do qual eu não precisei voltar por nunca ter estado (eu acho), felizmente) e mais fundo na toca do coelho da realidade. Cada coisa que leio, seja de religião, de ciência ou de filosofia, me convence mais e mais que não existe coisa mais surreal que a própria realidade. Imaginem que um quase nada explode e cria isso tudo que achamos que existe. Aí isso tudo se transforma: estrelas, galáxias, planetas, água, vida baseada em carbono. Bactérias, trilobitas, dinossauros, macacos, nós. E então, no mais puro desentendimento de nós mesmos, nos voltamos para algo que não sabemos se existe que chamamos de deus.

O fundo, tudo é fé. Uns crêem num ente criador. Outros em silogismos lógicos. Outros, pasmem, em ciência. E o seu mundo é como você crê nele. É o gato de Schrödinger real. Para os céticos, não há a possibilidade de Deus e, no mundo deles, realmente não existe Deus. Para os teístas, não existe a possibilidade de não haver Deus, e no mundo deles existe Deus. Isso tudo junto. A superposição dos estados é uma coisa linda!

E, no fim de minhas escolhas, sejam elas a priori, analíticas ou sintéticas, eu cheguei aqui, aos trinta anos. E posso me orgulhar de ao menos uma coisa: cheguei bem aos trinta. Não acho que tenho 20 anos e, principalmente, tenho certeza que não quero ter 20 anos. Gosto da minha idade. Sempre gostei. Aos 15, gostava de ter 15. Aos 20, gostava de ter 20. E assim foi aos 25 e é aos 30. No fim, creio que meu processo tem sido gostoso, prazeroso. E é isso o que importa: eu estou bem.

A todos que por essas 3 décadas dividiram esse caminho comigo agredeço de coração o carinho e a confiança.
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