terça-feira, 15 de setembro de 2009

Responsabilidade Social versus Software Não-Licenciado

Como poderá minha política de uso de software, se original ou se não-licenciado, em conjunto com a política dos meus compatriotas, interferir no futuro de minha nação? Por que o uso de software não-licenciado é tão danoso ao país? Existe, de fato, algum motivo para que eu utilize apenas softwares originais? Para tentar responder a essas perguntas, escreverei um pouco sobre licenças de software e sobre a cadeia local de comércio e serviços de informática.

Na questão de licenças de softwares, discriminarei os softwares originais e os não-licenciados, sendo estes últimos os famosos "softs piratas". Há, resumindo, quatro tipos de licensas de softwares: shareware, adware, freeware e opensource.

Shareware são os software cujos detentores de seus direito autorais cobram pela licença de uso. Eles comumente possuem versões "demo" (demonstração) ou "try" (teste), que possuem restrições quanto a uso de aplicações, seja não permitindo algumas aplicações avançadas ou na quantidade de vezes usadas ou em números de dias a partir da instalação. O sistema operacional Windows é um Shareware. Após 30 dias de instalação (tempo de teste, versão "try"), não havendo a ativação da chave (o código da licença), não consegue o usuário utilizá-lo até a ativação do produto, que deve ser feita por internet.

Adware é um tipo de software cuja instalação e uso são gratuitos, mas o usuário recebe propaganda na janela do programa. O MSN e o Kazaa são exemplos de softwares Adware.

Freeware é um software cuja instalação e uso são gratuitos e não há recebimento de nenhum tipo de propaganda na janela do software. O Internet Explorer da Microsoft é um programa Freeware.

Opensource é um programa cuja a instalação e o uso é gratuito, e cujo usuário tem o direito de acessar o código fonte (source) e modificá-lo, bem como copiar o programa e distribuí-lo sem restrição, além de obrigar o criador do programa a criar também a documentação sobre o mesmo. Documentação é a informação sobre o que o programa faz e, preferencialmente, como ele o faz. Os programas com licença Adware e Freeware costumam permitir, também, a cópia e a distribuição, mas não garatem acesso ao código fonte. O sistema operacional Linux é um exemplo de programa opensource.

Talvez você esteja se perguntando: "Legal, mas o que é código fonte?". É uma pergunta válida e justa. Explico. Para se fazer um programa, escolhe-se uma linguagem de programação e cria-se um código fonte. Se existisse uma linguagem de programação igual ao português, o código fonte de um programa poderia ser:

Início
Abrir uma janela quadrada de 5x5cm
Colorir a janela de azul
Manter a janela assim por 10 segundos
Fechar a Janela
Fim

Seria um programa que abre uma janela de um determinado tamanho, colore ela, mantém aberta por um determinado tempo e a fecha. Uma vez com o código fonte pronto, passa-se o código fonte por um programa chamado "compilador". O compilador é um tradutor. Ele traduz da linguagem de programação para a linguagem binária de 0 e 1 que o computador entende. Uma vez compilado, o programa está pronto para ser utilizado. Aos experts em informática, digo que sei que é uma explicação super-simples e incompleta, mas creio que suficiente aos completamente leigos.

O software não-licenciado é um Shareware cuja licença de uso não foi devidamente quitada, ou não está em via de quitação devido a acordo comercial que parcelou o valor. Softwares originais são os Sharewares quitados (ou em via de quitação), Adware, Freeware e Opensource.

Agora imagine que, ao invés de utilizar um software original, você "investe" no uso de um software pirata, muitas vezes cedido por um "técnico em informática tão bonzinho". O que isso gera? Quais são as conseqüências disso? Analisando, inicialmente, a cadeia de produção de programas Shareware, a primeira coisa que acontece é que o usuário não compra a licença de uso. Isso acarreta que alguém não vendeu a licença. Pode parecer pouco, mas pensem só nas pessoas que cada um de vocês conhece no Brasil que usam software não-licenciado. Windows, MS-Office, Adobe Photoshop, CorelDraw, AutoCad e tantos outros softwares cujas licenças de uso não foram adquiridas. Entendam que, na prática, a Adobe, a Microsoft, a Autodesk e a CorelDraw não vão falir por causa disso. E, mesmo assim, isso não é justificativa para o não-licenciamento do software. Todo software utilizado deve ser original. Mas não é nem foco desse texto essas corporações. Pense na loja da esquina, que ao não ter uma venda boa, não expande e contrata mais funcionários, não contrata novos serviços, não fecha novas parcerias. Todo um comércio local deixa de ser financiado, deixa de gerar renda e emprego, graças à política dos brasileiros de uso de software não-licenciado. E essa é uma política endêmica neste país.

Mas não se esqueçam, alguém ganha com isso. É aquele "técnico de informática", o "tão bonzinho", que cedeu o software não-licenciado. Ele ganha em horas de manutenção vendidas ao cliente. Já o técnico de informática sério, que se recusa a trabalhar com softwares não-licenciado, bem, esse está passando dificuldade, pois tem poucos clientes.

No caso da cadeia de produção dos softwares originais que não são shareware, lembrem-se que muitas vezes vende-se o serviço. É o caso, principalmente, dos softwares OpenSource. Há um técnico ali, capacitado para oferecer consultoria e suporte nesse tipo de software. Mas ele não é contratado, pois a empresa socialmente irresponsável se recusa a utilizar o shareware original, mas não migra para o opensource. Ela contrata o "técnico de informática tão bonzinho". Mais uma vez o trabalho sério fica de lado. Esse técnico de informática especializado em software opensource, na maioria das vezes, faz parte de comunidades e contribui com elas, informando e consertando erro nos programas, auxiliando e passando informação a diante. A documentação de todos os softwares opensource está disponível na internet gratuitamente para quem quiser utilizar, copiar, distribuir ou modificar.

Utilizar software não-licenciado é investir no atraso econômico e social. É abrir mão de relações de trabalho sérias e qualificadas. É fazer, no presente, um investimento que, no futuro, se reverterá na manutenção da miséria, da pobreza, da criminalidade, da má educação oferecida pelas escolas públicas.

Utilizar software original, qualquer que seja sua licença, é responsabilidade social. É investir no crescimento econômico e social. É investir não só em emprego, mas em emprego sério e qualificado. É fazer, no presente, um investimento que, no futuro, se reverterá em dividendos sociais.

Pessoas e empresas com responsabilidade social utilizam apenas softwares originais.
Postar um comentário