sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Avatar

Avatar é um filme sobre a resistência de um povo ao se deparar com a invasão de um povo que é tecnologicamente superior. Os Na'vi são um clã de uma espécie senciente e consciente de um planeta chamado Pandora.

Em Pandora, todas as espécies, plantas e animais, fazem parte de uma rede de energia e memórias conectadas a Ewna, uma deusa da natureza. A espécie consciente vive em perfeita harmonia com o planeta inteiro, sendo capaz de se conectar às memórias de Pandora e de seus ancestrais, e com animais terrestres e alados que se tornam companheiros de uma vida.

O personagem principal e salvador do mundo é um fuzileiro naval (alguma dúvida?). Uma pequena surpresa é que o vilão do filme também é um fuzileiro naval. Então eles se antagonizam como o novo (o mocinho) e o velho (o vilão). O mocinho é aberto ao novo e procura entender aquele povo que ali vive. O velho investe no no ataque como forma de defesa e na luta contra o "terror", e é seguido por uma massa de guerreiros mercenários sedentos por sangue. O novo se une ao povo do planeta, fazendo o que é "certo", "justo" e "bom", afinal, ele é um marine.

Entre erros de lógica e efeitos especiais, o filme peca um pouco na história, sim. Mas é plenamente compensado pelas boas cenas de ação. Para aqueles que, "por própria conta e risco", como diria Oscar Wilde, forem além do signo, é que escrevo as próximas linhas.

O filme narra uma história que é velha conhecida nossa: da invasão de terras em busca de metais preciosos. Nada mais do que isso. É o genocídio dos Astecas, o final da cultura Maia, o tratamento dispensado Cherokees e aos Tupis. É a luta entre o invasor e o que ama sua terra, e nela vive bem, sem precisar destruir excessivamente. É a luta entre o portugueses e os indígenas, os ingleses e indianos, o EUA e os iraquianos.

No momento da destruição da casa do povo nativo, veio à minha mente um sem-número de nomes de tribos indígenas brasileiras: Aymorés, Maxacalis, Tupis, Guaranis, Xoklẽs, Guaicurus, Goitacazes, e a lista segue.

É um filme que ataca o estilo de vida que levamos, desconectado do mundo no qual vivemos (apesar de conectados no mundo virtual), alienados daquilo que realmente importa para a nossa sobrevivência enquanto seres e enquanto espécie. Apesar do que possamos pensar, iPhone não o é, nem Ferrari ou Foker. É cuidar da nossa casa, e a chamamos de Terra.

É um filme que, infelizmente, nossos "representantes" em Cop 15 não verão, e se vissem, não entenderiam.

Mas recomendo que vejam.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Eu nunca gostei do natal

Eu nunca gostei do natal. Claro que, quando criança, gostava. Era a época de ganhar presentes. Mas desde que tenho alguma consciência real de mim e do mundo, não gosto dele.

Sou ateu, de pai e irmão ateu, e mãe agnóstica. Para mim, o natal era apenas um momento de hipocrisia, fingir felicidade por um presente comprado para uma data meramente comercial.

Fazia algun sentido quando passava com meus avós. Todos cristãos católicos. Então o natal era para eles uma data importante, e eles queriam compartilhar isso comigo. isso, sim, em conseguia entender e apoiar. Lá ia eu, de bom grado, passar natal com meus avós. Era importante para eles estarem comigo naquela data. Então era importante para mim estar com eles.

Fora isso, não gosto do natal. É uma data para pseudo-religiosos fingirem que se gostam, dando presentes que não queriam dar uns aos outros. Claro que isso não é verdadeiro em todas as famílias, em todos os grupos. Mas o é para a maioria.

E o natal trás o que o ser humano tem de pior: o espírito de natal. É aquele espírito que diz que ninguém pode passar fome nesse dia. Então vamos avaliá-lo: eu não me importo com o outro. Não me importo nunca. Mas, se ele sobreviver à porcaria do ano que, como sociedade, imporemos a ele, então daremos a ele a certeza de comer um dia, graças ao nosso generoso espírito de natal. Espírito de natal nada mais é que nossa pena aplicada a uma data que era para ser religiosa, mas é comercial.

E, para piorar, fico vendo nossa apropriação de cultura. Toda nossa decoração de natal é européia e estados-unidense. E fico pensando: está-se comemorando no Brasil o aniversário de um hebreu da galiléia, mas usamos decoração européia. Bem interessante isso. Eu adoro a neve em nossos pinheiros, os soldadinhos britânicos de chumbo na Praça da Liberdade, o jornal Estado de São Paulo falando de como escolher a árvore perfeita de natal: um pinheiro sub-tropical. Ao menos, nessa reportagem, há dicas de decoração mais brasileira.

Para completar, nada melhor do que um centro de cidade LOTADO de pessoas fazendo compras de última hora, debaixo de chuva torrencial, carregando 4 ou 5 crianças a tira-colo e comguarda-chuva aberto debaixo da marquise para furar os olhos das pessoas.

Ah! Como eu odeio o natal!

Reportagem do "Estadão": http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup480722,0.htm