domingo, 13 de dezembro de 2009

Eu nunca gostei do natal

Eu nunca gostei do natal. Claro que, quando criança, gostava. Era a época de ganhar presentes. Mas desde que tenho alguma consciência real de mim e do mundo, não gosto dele.

Sou ateu, de pai e irmão ateu, e mãe agnóstica. Para mim, o natal era apenas um momento de hipocrisia, fingir felicidade por um presente comprado para uma data meramente comercial.

Fazia algun sentido quando passava com meus avós. Todos cristãos católicos. Então o natal era para eles uma data importante, e eles queriam compartilhar isso comigo. isso, sim, em conseguia entender e apoiar. Lá ia eu, de bom grado, passar natal com meus avós. Era importante para eles estarem comigo naquela data. Então era importante para mim estar com eles.

Fora isso, não gosto do natal. É uma data para pseudo-religiosos fingirem que se gostam, dando presentes que não queriam dar uns aos outros. Claro que isso não é verdadeiro em todas as famílias, em todos os grupos. Mas o é para a maioria.

E o natal trás o que o ser humano tem de pior: o espírito de natal. É aquele espírito que diz que ninguém pode passar fome nesse dia. Então vamos avaliá-lo: eu não me importo com o outro. Não me importo nunca. Mas, se ele sobreviver à porcaria do ano que, como sociedade, imporemos a ele, então daremos a ele a certeza de comer um dia, graças ao nosso generoso espírito de natal. Espírito de natal nada mais é que nossa pena aplicada a uma data que era para ser religiosa, mas é comercial.

E, para piorar, fico vendo nossa apropriação de cultura. Toda nossa decoração de natal é européia e estados-unidense. E fico pensando: está-se comemorando no Brasil o aniversário de um hebreu da galiléia, mas usamos decoração européia. Bem interessante isso. Eu adoro a neve em nossos pinheiros, os soldadinhos britânicos de chumbo na Praça da Liberdade, o jornal Estado de São Paulo falando de como escolher a árvore perfeita de natal: um pinheiro sub-tropical. Ao menos, nessa reportagem, há dicas de decoração mais brasileira.

Para completar, nada melhor do que um centro de cidade LOTADO de pessoas fazendo compras de última hora, debaixo de chuva torrencial, carregando 4 ou 5 crianças a tira-colo e comguarda-chuva aberto debaixo da marquise para furar os olhos das pessoas.

Ah! Como eu odeio o natal!

Reportagem do "Estadão": http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup480722,0.htm
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