segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições - Uma outra análise é possível

Eu acho bem interessante observar os dados da eleição. Principalmente aqueles que não são divulgados pela mídia.

Qualquer um pode ir ao site do TSE e buscar os dados na parte de divulgação. Mas poucos vão lá e poucos observam qualquer coisa a mais do que quem ganhou ou quem foi para o segundo turno. Nesse post analisarei os dados de quem não votou.

Para tanto, mostrarei alguns dados disponíveis no supracitado site de divulgação:

Eleitores Cadastrados: 135.804.433
Abstenções: 24.609.827
Votos Válidos: 101.589.387
Votos Inválidos: 9.603.521, dos quais:
Votos Brancos: 3.479.332
Votos Nulos: 6.124.189
Dados com 99,99% das urnas apuradas em 04/10/2010 às 13:10h

Por um motivo ou outro, 34.210.684 de eleitores não somam o montante de 101.585.646 votos válidos. Isso significa que 25,19% do eleitorado ou estavam fora do seu domicílio eleitoral ou tinham coisa melhor que fazer e depois resolveriam com a justiça eleitoral (abstenções) ou acham que qualquer um dos candidatos servem (votos brancos) ou acreditam que nenhum dos candidatos serve (votos nulos).

As abstenções, que somam a maior parte dos eleitores que não são computados para definir os vencedores do certamen eleitoral podem ser divididos em dois grandes grupos: o primeiro é o das pessoas que estavam viajando, a trabalho ou laser, e ou não podiam votar em trânsito por não estarem na capital de um estado, ou não quiserem se inscrever para votar em trânsito; e o segundo são as pessoas que se mudaram para longe de seu domicílio eleitoral e não mudaram o domicílio e não se dispuseram, por um motivo ou outro, a voltarem para seus domicílios. É importante marcar que, em qualquer um desses casos, a maioria simplesmente não se importa o suficiente para se esforçar para votar.

Para deixar mais claro, um em cada quatro brasileiros simplesmente não se dispuseram a votar em qualquer candidato que fosse. Para mim, esse número deve trazer uma discussão séria sobre o processo eleitoral. E digo mais: algumas mudanças são urgentes, como tornar o voto facultativo. Para cargos do legislativo, não deveria haver campanha de candidatos, apenas de partidos, pois o STF (Supremo Tribunal Federal) já decidiu que o mandato é do partido, uma vez que o candidato só entra se o partido ou coligação que ele faz parte tiver votos suficientes para, na formulação do quosciente eleitoral conquistar pelo menos uma vaga. Mais que isso, depois de empossado ele deve votar no que o partido determina, sob pena de, se reiteradamente descumprir isso, ser expulso do partido e perder o mandato.

Esse dois acabariam com o voto que não é consciente, ou seja, todo voto definido através de qualquer forma que não o estudo da história e das propostas de cada candidato. Isso não significa, de forma nenhuma, acabar com votos bracos e nulos, os quais pode, sim, serem conscientes.

Ao contrário, significa que cada voto realmente terá valor por aqueles que comparecerem às urnas o farão de bom grado e real vontade própria, o que anão aocntece hoje, que vai-se às urnas para não se sofrer sanções do estado. São exatamente essas sanções que transformam o voto em dever, tirando dele o status de direito.

Mais que isso, quando observamos os dados com os candidatos e jogamos os percentuais considerando não apenas os votos válidos, mas todo o universo de eleitores cadastrados:

100,00% Votos Possíveis: 135.804.433
25,19% Votos não-contabilizados: 34.213.348 (abstenções, brancos e nulos)
35,09% Votos em Dilma: 47.651.108
24,40% Votos em Serra: 33.131.867
14,46% Votos em Marina: 19.636.335
Os demais candidatos não atingiram 1,00% cada.

Fica claro que, dentro de todo o universo de eleitores cadastrados, apenas um candidato possui mais votos que a soma das abstenções, votos brancos e votos nulos; e que, mesmo assim, possui pouco mais de um terço desses.

Reparem, também, que se considerado todo o universo de eleitores cadastrados, a diferença entre os candidatos cai, e pode-se ver claramente a porcentagem de eleitores que realmente preferem um ou outro candidato, diminuindo de 14% para 11% a diferença entre Dilma e Serra e de 13% para 10% a diferença entre Serra e Marina.

O que esses números realmente querem dizer cabe a cada um decidir, mas, para mim, eles dizem que é extremamente necessário pensar e mudar nosso sistema eleitoral.