sábado, 10 de dezembro de 2011

My Way

Mary Schimidt, colunista do Chicago Tribune, sugere que todos aqueles que possuem mais de 26 anos experimentem escrever um discurso de formatura como se fosse o orador. Ela mesma fez a experiência e escreveu um texto que ficou famoso no mundo inteiro: Wear Sunscreem (Use Filtro Solar). Agora, aos 32 anos, estou terminando a faculdade e não sou o orador da turma, mas seguirei o conselho dela e escrevo aqui aquele que seria o meu discurso, caso eu fosse o orador.


My Way


"And now, the end is near, so I face the final curtain". Com os versos escritos por Paul Anka e imortalizados por Elvis Presley e Frank Sinatra eu começo esse discurso que encerra este curso superior. Esse discurso é a última palavra daqueles que ainda não obtiveram a titulação, mas que estão prestes a fazê-lo.

O curso de Tecnologia em Processos Gerenciais do da Faculdade de Tecnologia do SENAI MG preocupa-se em ensinar aos educandos, da melhor forma possível, como gerenciar processos produtivos, iniciando no marketing e passando pelos processos financeiros, logísticos, legais e de gestão de pessoas.

Pessoas estas que são o fim de qualquer processo educativo. Pessoas que riem, que choram, que amam, que odeiam, enfim, que vivem.

E o que é a vida? A vida não é mais que uma infindável cadeia de processos, descritíveis ou não, ao redor de cada um de nós. Peço a todos que agora olhem para a sua esquerda [pequena pausa], para sua direita [pequena pausa], para frente e para trás [pequena pausa], e percebam que que aquela pessoa que está ali, a conheça você ou não, passou por infindáveis processos que a trouxeram até aqui, ao seu lado. E significa também que algum desses processos vocês compartilham. Algum processo anterior a este e que compartilham este processo de colação de grau.

A vida, meu amigos, é um macroprocesso maravilhoso. É bela, é rara e é gostosa. Viver é uma experiência fantástica cujo maior desafio é aprender a gerenciar os processos de nossa própria vida. É aprender a lidar com as pessoas que amamos, com aquelas que não amamos e com a mais difícil de todas, nós mesmos.

Peço que agora não olhem para os lados, para frente ou para trás, mas olhem para dentro [pequena pausa]. O que os trouxeram até aqui? De alguma forma foi a sensação de que, por algum motivo, queriam compartilhar esse momento com as pessoas que ali estão [aponta para os formandos], e, acreditem, somos gratos por isso.

Entre trancos e barrancos vamos passando pelos processos da vida, sorrindo, chorando, amando e odiando, enfim, vivendo, e esses processos nos trouxeram até aqui, e nos levarão além.

Agradecemos do fundo do nosso coração a todos, aos professores pelos ensinamentos e cobranças, aos funcionários pela presteza, aos colegas pelo companheirismo e, aos entes amados, que lá estavam nos melhores e nos pioremos momento, nos ajudando a levantar quando caíamos e nos ajudando a sermos cada vez melhores, dedicamos não só nossa gratidão, mas nosso amor e nosso carinho.

"And more, much more than this, I did it my way"

Obrigado!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Um, com o todo!

Quanto mais eu leio, quanto mais eu ouço, quanto mais eu observo, quanto mais eu penso, mais e mais eu percebo o quanto o ser humano é medroso de se perceber como é.

Criamos, reciclamos e recriamos, durante nossos poucos milênios aqui, uma infinidade de mitos para fugir do que somos. É muito blablabla sem nenhum resultado. Ou mais acuradamente dizendo, nas melhores das hipóteses, sem nenhum resultado.

Sim, eu estou falando de mitos da criação. Não importa qual mito você siga, para os fiéis é uma forma de se sentir conectado com algo maior, para os sacerdotes, um modo de vida financiado pelos fiéis. Considero simplesmente crer em um mito da criação extremamente viável para homens da idade do bronze e para aqueles que, após a era do bronze, não tiveram acesso a informação e conhecimento.

A crença em um ou mais deus(es) não supre a necessária curiosidade de uma mente investigativa. Sempre, no final, depara-se com perguntas do tipo: e quem criou deus? e quem criou o caos da onde surgiu a vaca que deu a luz a Odin? E por aí vai. Pois, qualquer que seja o mito, sempre teve algo que sempre existiu: deus, o pai de deus, o caos, o vazio, o todo ou qualquer outra coisa ou ente que sempre esteve ali.

A ciência, por si, também tem seu limite de explicação. Não conseguimos, ainda, nem entender o que ocorreu no momento do Big Bang. Estamos tentando, com o LHC, chegar até ele. Se um dia chegarmos, não significa que conseguiremos entender tudo o que veio antes. Não significa, inclusive, que teremos como saber se existia algo antes.

Porém, ao olhar para o céu, ver a lua cheia, ou na falta da lua, ver as estrelas, e entender que em algum lugar ali houve uma vez uma estrela que explodiu e outra e outra, que tinham surgido de outras estrelas ainda, e assim vai, até que, voltando ao passado, toda a energia que hoje me compõe, que são meus átomos, minhas energia, meu pensar, minha raiva, minha fome, meu amor e meu ódio, tudo aquilo que eu simplesmente sou pode ser traçado até aquele ponto único, aquela singularidade, aquele ínfimo início do nosso universo. E eu, nesse momento, sou um, com o todo; sem deuses, sem mitos, sem vergonha, sou parte de um universo belo, complexo e com um sem número de possibilidades maravilhosas a explorar.