terça-feira, 24 de maio de 2011

Um, com o todo!

Quanto mais eu leio, quanto mais eu ouço, quanto mais eu observo, quanto mais eu penso, mais e mais eu percebo o quanto o ser humano é medroso de se perceber como é.

Criamos, reciclamos e recriamos, durante nossos poucos milênios aqui, uma infinidade de mitos para fugir do que somos. É muito blablabla sem nenhum resultado. Ou mais acuradamente dizendo, nas melhores das hipóteses, sem nenhum resultado.

Sim, eu estou falando de mitos da criação. Não importa qual mito você siga, para os fiéis é uma forma de se sentir conectado com algo maior, para os sacerdotes, um modo de vida financiado pelos fiéis. Considero simplesmente crer em um mito da criação extremamente viável para homens da idade do bronze e para aqueles que, após a era do bronze, não tiveram acesso a informação e conhecimento.

A crença em um ou mais deus(es) não supre a necessária curiosidade de uma mente investigativa. Sempre, no final, depara-se com perguntas do tipo: e quem criou deus? e quem criou o caos da onde surgiu a vaca que deu a luz a Odin? E por aí vai. Pois, qualquer que seja o mito, sempre teve algo que sempre existiu: deus, o pai de deus, o caos, o vazio, o todo ou qualquer outra coisa ou ente que sempre esteve ali.

A ciência, por si, também tem seu limite de explicação. Não conseguimos, ainda, nem entender o que ocorreu no momento do Big Bang. Estamos tentando, com o LHC, chegar até ele. Se um dia chegarmos, não significa que conseguiremos entender tudo o que veio antes. Não significa, inclusive, que teremos como saber se existia algo antes.

Porém, ao olhar para o céu, ver a lua cheia, ou na falta da lua, ver as estrelas, e entender que em algum lugar ali houve uma vez uma estrela que explodiu e outra e outra, que tinham surgido de outras estrelas ainda, e assim vai, até que, voltando ao passado, toda a energia que hoje me compõe, que são meus átomos, minhas energia, meu pensar, minha raiva, minha fome, meu amor e meu ódio, tudo aquilo que eu simplesmente sou pode ser traçado até aquele ponto único, aquela singularidade, aquele ínfimo início do nosso universo. E eu, nesse momento, sou um, com o todo; sem deuses, sem mitos, sem vergonha, sou parte de um universo belo, complexo e com um sem número de possibilidades maravilhosas a explorar.