segunda-feira, 5 de novembro de 2012

FACEBOOK? Não, obrigado!

Muita gente me pergunta por que eu não uso o Facebook. E quando eu digo, muita gente não entende, e diz que estou perdendo. Então vou expor aqui o Facebook como a maioria nunca viu.

O Facebook não é uma rede social

Alguns argumentarão que o Facebook é uma rede social e que é a maior da atualidade. Em termos amplos, até faz sentido. Mas do ponto de vista semântico, uma rede social é uma rede que tenha como objetivo a socialização das pessoas. O Facebook não faz isso. Ao contrário ele fecha em círculos de conhecidos e conhecidos de conhecidos. Nesse sentido, eu defendo que o Facebook não é uma rede social, mas um rede de divulgação.

Como rede social, o Orkut é melhor que o Facebook

É isso mesmo. Como rede social, que te permite acessar facilmente pessoas que você desconhece e passe a conhecê-las, e discuta em fóruns de comunidades de pessoas que tenham o mesmo interesse, independentemente de se conhecerem ou não.

O Facebook é uma rede de divulgação

É exatamente isso: o Facebook é uma rede de divulgação. Nada mais. Divulgam-se pessoas, empresas e, às vezes, [pensamentos e idéias. O objetivo do Facebook não é a socialização, mas a venda de divulgação. Isso é claro e direto em seu design e em seu contrato.

Eu não me interesso pelo contrato

Sim, diferentemente da maioria, eu não me interesso pelo contrato o Facebook. mais, diferentemente da maioria, eu li o contrato. Não sou fã do contrato o Orkut ou do Google+, mas eu realmente desprezo o do Facebook, que usará meus dados, na prática, como bem entender e não se pauta pelo livre pensar e o direito à livre expressão.

Facebook=Orkut+Twitter

Na prática, o Facebook é igual a Orkut+Twitter. Eu tenho os dois, e não os deixarei de ter, assim como você, provavelmente, possui, ainda, sua conta, que não usa, no Orkut e seu Twitter. E tem mais uma rede pra gerenciar que faz a mesma coisa. Parabéns! Você usar MUITO tempo pra gerenciar tantas redes.

Direito Pleno de Escolha e Integração de Ferramentas

Usando o Google+ (uma espécie de Facebook do Google, que também é apenas uma rede de divulgação), ao adicionar uma foto ela é adicionada no Picasa (isso porque o Picasa é a ferramenta nativa do G+ para armazenagem de fotos) e ao adicionar um vídeo no Youtube eu posso determiná-lo como meu vídeo no G+. Esses três serviços do Google são plenamente integrados. Além disso, minhas opções de escolha são mais abrangentes no G+, no Picasa e no Youtube que no Facebook, e isso me atrai muito.

Eu não sou "Maria Vai com as Outras"

Você fez um perfil no Facebook porque seus amigos fizeram? pois é... eu não!

Finalizando

O que falta no G+ é, de fato, comunidades, com visual e usabilidade melhoradas, como as do Orkut, para que ele passe de uma rede de divulgação, exatamente como o Facebook é, e passe a ser, também, uma rede social. Meu login em todos os serviços Google é o mesmo, não preciso gerenciar mais um e tenho apenas um perfil no Google que vale pra tudo. Isso me ajuda MUITO.

Ainda prefiro o Twitter à timeline do Facebook ou do G+ para receber manchetes dos jornais e revistas que sigo.

De qualquer forma, o Facebook não me faz a menor falta, e antevejo que a maturidade do G+ chegará antes, ou junto, e certamente com mais estabilidade que a do Facebook ou outras redes.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Índice da Incompetência Pública

Com as cotas bombando de um lado a outro com a desculpa furada de "compensação histórica" a quem nunca, de fato, sofreu com a escravatura. Que o racismo e o sexismo existem e acontecem no Brasil é um fato, e que ele acontece de ambos os lados é outro fato. Outro fato é que, em um país miscigenado, ser beneficiado ou não pelas cotas que julgam pela cor da pele faz parte de uma loteria genética.

Mas hoje falarei de duas cotas específicas: a social e a racial. Mais especificamente, escreverei como a UFMG aplica elas. Isso porque a UFMG não faz separação de vagas para os cotistas, mas oferece bônus na nota do vestibular. Então vejamos como funciona no Edital do Concurso Vestibular 2013:

No Título III, "Do Programa de Bônus", que começa na página 4 e termina na página 6, a UFMG determina como funcionará. Basicamente é um sistema de acréscimo de nota numa medida percentual da nota efetivamente conseguida e se dá em três opções:
a) Não optar pelo Programa de Bônus;
b) Optar pelo Programa de Bônus para quem cursou os 4 últimos anos do ensino fundamental e o ensino médio completo em escola pública (há um dispositivo nesse caso para o EJA);
c) Optar pelo Programa de Bônus para quem, além de preencher os requisitos do item b), ainda se autodeclarar pardo ou preto*.

No caso da opção b), há acréscimo de 5% na nota da primeira etapa e de 10% na nota da segunda, e pela opção c), acréscimo de 7,5% e 15% respectivamente, sendo que, para a opção c), é preciso entregar uma declaração que o edital diz que está disponível no site da COPEVE que eu não achei.

O que podemos analisar desse edital?

- Primeiro que a UFMG oferece cotas sociais que podem ser potencializadas por questões raciais;
- Segundo, que a escola pública é 5% pior em questões objetivas e 10% pior em questões analíticas;
- Terceiro que o pardo e o preto* são 2,5% pior que seus colegas não-pardos e não-pretos* em questões objetivas e 5% em questões analíticas;
- Quarto que alunos que cursaram escola particular são 7,5% melhor em questões objetivas e 15% em questões analíticas que pardos e pretos* que cursaram escola pública;

Eu confesso minha ignorância de como a UFMG chegou a esses percentuais, mas sei que eles possuem dados e que, talvez, o cruzamento desses dados indiquem que esse percentual seja suficiente para que adentrem à UFMG a porcentagem-meta de alunos oriundos de escolas públicas e que, dentro dessa meta, haja uma outra meta de alunos pardos e pretos*.

O que ninguém parece ver é que tais vagas serão ocupadas, especulo eu, em sua maioria por filhos de militares (colégio militar) e filhos de funcionários da UFMG (Colégio Pedagógico e Colégio Técnico), que, juntamente ao CEFET, formam o tripé da educação pública de qualidade em Belo Horizonte e que, juntamente com outros Colégios de Aplicação, como o da UFV, educam a maioria dos alunos ingressantes em universidade públicas brasileiras que são oriundos de escolas públicas.

Mas o que é de fato interessante é que a UFMG, ou seja, a união através da UFMG oferece uma porcentagem clara da defasagem da escola pública em relação à privada.

Agora, resolver o problema e injetar recurso na educação básica ninguém quer, mesmo já sabendo qual é o índice da incompetência pública!

*Reprodução literal do termo usado pela UFMG: "No ato da inscrição, alternativamente, o candidato que atenda aos requisitos citados no parágrafo anterior e, além disso, se autodeclare pardo ou preto poderá fazer opção por concorrer ao Programa de Bônus de 7,5% (sete vírgula cinco por cento) em sua nota final de primeira etapa e de 15% (quinze por cento) em sua nota final de segunda etapa do Concurso Vestibular UFMG 2013." (UFMG. Edital do Concurso Vestibular 2013. Página 4. Disponível em <http://web.cpv.ufmg.br/Arquivos/2012/Edital_do_Vestibular_2013.pdf>. Acessado em 16/10/2012)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Eleições em BH - Uma análise

Assim como eu já fiz nas últimas eleições para presidente, em meu post "Eleições - Uma outra análise é possível", vou fazer uma análise das eleições para prefeito em Belo Horizonte considerando todo o universo de votantes, não apenas os votos válidos.

Isso porque, ao considerar-se votos brancos e nulos como inválidos, e ao não se contar as abstenções, cria-se a ilusão de que o candidato vitorioso é o que a maioria da população quer.

Em um ambiente onde 100% dos cidadãos alfabetizados entre 18 e 70 são obrigados a votar, o correto seria considerar a voz desses 100% de eleitores do jeito que ela foi efetivada.

Para isso, considerarei para votos brancos e nulos, e para abstenções, os seguintes significados:

Abstenções: "Eu tenho mais o que fazer."
Voto Branco: "Qualquer um desses serve."
Voto Nulo: "Nenhum desses serve."

Sendo que, qualquer uma dessas opções é uma opção impessoal e não deve ser creditada a qualquer um dos candidatos.

Na eleição para prefeito em Belo Horizonte ocorrida no dia 07 de outubro de 2012, os votos foram computados da seguinte maneira:


# Candidato Votos % Válidos
40 Márcio Lacerda 676.215 52,69%
13 Patrus Anania 523.645 40,80%
50 Maria da Consolação 54.530 4,25%
16 Vanessa Portugal 19.908 1,55%
31 Dr. Alfredo Flister 4.691 0,37%
54 Tadeu Martins 3.728 0,29%
29 Pepe 782 0,06%
  TOTAL VÁLIDOS 1.283.499 100,00%
  Votos Brancos 87.366  
  Votos Nulos 138.065  
  TOTAL de VOTOS 1.508.930  
  Abstenções 351.242  
  TOTAL DE ELEITORES 1.860.172  

# Candidato % Votos % Eleitores
40 Márcio Lacerda 44,81% 36,35%
13 Patrus Anania 34,70% 28,15%
50 Maria da Consolação 3,61% 2,93%
16 Vanessa Portugal 1,32% 1,07%
31 Dr. Alfredo Flister 0,31% 0,25%
54 Tadeu Martins 0,25% 0,20%
29 Pepe 0,05% 0,04%
  TOTAL VÁLIDOS 85,06% 69,00%
  Votos Brancos 5,79% 4,70%
  Votos Nulos 9,15% 7,42%
  TOTAL de VOTOS 100,00% 81,12%
  Abstenções 18,88%
  TOTAL DE ELEITORES 100,00%
Tabelas montadas com base em dados do TSE.

Observando a tabela, é possível perceber algumas coisas interessantes. A primeira é primeira que quero falar é a da porcentagem dos votos válidos em relação ao total de eleitores: 69%. ou seja, por mais que 100% sejam obrigados a votar, aceita-se a voz de apenas 69% para eleger um candidato.

Você pode pensar que aqueles que acham que nenhum candidato serve, que qualquer um serve, ou que tinham mais o que fazer que votar não devem ser ouvidos mesmo. APESAR desse parecer um pensamento certo, ele é injustificável perante à obrigação do voto. O princípio por trás da obrigação do voto é que todos digam  o que pensam. A pergunta é: para que obrigar todos s dizer se não aceitaremos, em nossa análise, aquilo que for dito e não quisermos aceitar que seja dito?

Entendam: o problema principal não é 69% da população decidir, mas a desconsideração da opinião de 31% da população.

Mesmo aquele que acha que tem mais o que fazer e se abstém do voto por qualquer motivo que seja deve ser ouvido. Talvez, ele deve ser o mais ouvido. É ele que se preocupa tão pouco que prefere viajar, ou mudou de cidade e não transferiu o título. Perguntem a ele o que ele acha das eleições.

E o que saiu de casa para votar branco? Aquele que entende que qualquer um dos candidatos servem, que todos são bons com pequenas variações entre si? O que ele tem a dizer? Por que tanto faz quem entra?

E o que saiu de casa pra votar nulo? Aquele que entende que nenhum dos candidatos servem, que todos são ruins com pequenas variações entre si? O que ele tem a dizer? Por que todos são ruins a ponto de não merecerem seu voto?

São esses três tipos de eleitores que, provavelmente, possuem as chaves para melhorar o sistema de eleições. São eles os descontentes. Descontentes, mesmo aqueles que acham que qualquer um serve. Imaginem a felicidade de um cidadão, sair de casa, no domingo, pra ir votar achando que qualquer um serve e que tanto faz o que ele disser, sendo que podia estar em casa, descansando da semana da de trabalho. Já imaginaram?

Mas, ao invés disso, continuamos achando que é democracia obrigar 31% da população a falar, mas não ouvir.

E não se enganem, leitores, o prefeito eleito de Belo Horizonte não representa 52,69% dos eleitores, mas apenas 36,35% são representados por eles. Ainda assim, ele se torna o chefe do executivo. Mais uma vez, isso não é o problema. O mais votado tem que assumir mesmo. O mundo continua, mesmo com o mais eleito, e continuaria sem o mais eleito.

Porém, a quem interessa não divulgar ostensivamente que o prefeito eleito representa 36,35% da população e que apenas 69% votaram em um candidato? O que será tão temerário? O que será mudaria se isso fosse divulgado?

Mais uma vez: A QUEM INTERESSA?

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Funcionário público é vagabundo

A frase título deste post é tida como verdadeira por muitas pessoas no Brasil. Sabemos que, como em qualquer instituição, existem os preguiçosos e vagabundos e as pessoas que trabalham com afinco, e que isso é verdade, também, no funcionarismo público. Mas vejamos alguns fatos que, infelizmente, corroboram com essa ideia.

Que a Polícia Federal (PF) está em greve já foi divulgado por vários canais de notícias, tanto escrita quanto falada. Mas o que a PF decidiu fazer durante a greve? Uma coisinha chamada "Operação Padrão", que a Folha de São Paulo noticiou. Mas pensemos... o que é uma "Operação Padrão"?

"Operação Padrão" nada mais é que o padrão, ou seja, o que deve ser feito no cotidiano do trabalho, neste caso, da PF. Se você leu a reportagem do link acima, viu que a "Operação Padrão" incomodou muito as pessoas fiscalizadas. Mas o mais importante é que, se a "Operação Padrão" da PF faz isso, o que eles fazem durante a rotina de trabalho padrão que não gera isso? A única resposta lógica possível é: fazem menos que o padrão.

"Operação Padrão" é a prova definitiva que os órgãos públicos que a fazem na greve de fato fazem menos que o padrão em seu cotidiano, e que nós pagamos para receber um serviço abaixo do padrão.

Para piorar a situação, a justiça proibiu, como noticiado pela Folha de São Paulo, que a PF fizesse a "Operação Padrão". em outras palavras, a justiça brasileira que proibiu que os funcionários públicos da PF cumprissem com sua função BÁSICA, nos moldes básicos do próprio trabalho.

Sobre o ocorrido, tenho duas perguntas:
1) Como mudar a ideia geral da população sobre o funcionarismo público se o é na greve que vemos os funcionários que pagamos com impostos realmente trabalharem?
2) Por que categorias que fazem "Operação Padrão" na greve não são sumariamente demitidas com justa causa por demonstrarem que em seu cotidiano fazem abaixo do padrão?

A justiça não devia proibir a "Operação Padrão", mas obrigá-la, sob multa mais pesada ainda que a da proibição, caso não fosse cumprida. "Operação Padrão" é obrigação cotidiana do funcionarismo público e direito dos cidadãos.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O que é Ciência?

Muitas pessoas não entendem o que é ciência, a confundindo com religião, filosofia ou senso comum. Em sua estrutura mais básica, no que tange à lógica, já diferenciei ciência de filosofia e teologia no post Diferença entre Teologia, Filosofia e Ciência. Então hoje cuidarei de outras questões.

A primeira delas é que não existe "A CIÊNCIA", um ente eterno e imutável que luta contra "A FILOSOFIA" e "DEUS". Fazer qualquer alusão a ciência enquanto um ente e oferecer a ela qualquer característica humana (como em "a ciência é inimiga da religião") é um erro grave. Dito isso, seguirei.

A definição mais clássica e simples de ciência é que é um sistema de conhecimento humano metódico organizado. Mas se é assim, o que a separa da filosofia e da teologia? Quero dizer, além das questões da lógicas já explicadas no post anterior, o que a separa?

É o método. Ciência é o próprio método científico e os trabalhos científicos são aqueles cujo método é científico. E aí fica a pergunta: e quais são os elementos fundamentais desse tal método científico? São eles:

1) Observação de um Fato
2) Elaboração de uma Hipótese
3) Planejamento e Execução de um Experimento
4) Análise dos Dados Coletados Durante o Experimento
5) Conclusão do Trabalho

Note que, ao contrário da teologia e da filosofia, o método científico (doravante ciência) exige que, para a elaboração de um trabalho científico, haja um fato observável. Por fato observável é entendido algo que pode ser mensurável em qualquer escala e em qualquer unidade, mesmo que nós, humanos, não consigamos reproduzi-lo ou armazená-lo.

Uma vez o fato observado, é necessário elaborar uma hipótese que vise descrever uma, algumas ou todas as facetas do fato, por exemplo, que vise explicar o como ou o porque do fato. Grandes teorias podem possuir mais de um fato observado e mais de uma hipótese e, normalmente, os possuem.

Se há um fato e há uma, ou mais, hipótese, faz-se necessário comprovar essa hipótese. É para isso que serve o experimento. Cada experimento possui uma metodologia própria, voltada para o estudo de um fato específico utilizando a tecnologia disponível, desenvolvível e/ou fabricável. Os dois principais elementos da metodologia de uma experimento científico são a capacidade de gerar e coletar dados relevantes para a comprovação ou reprovação da hipótese E a reprodutibilidade do experimento de forma que, uma vez seguidos os mesmos passos, chegue-se nos mesmos resultados (ou suficientemente aproximados dentro dos parâmetros probabilísticos).

Agora que já se observou o fato, elaborou a hipótese e executou o experimento, possui-se uma gama de dados disponíveis para a análise. Esses dados devem sempre ser analisados em confrontados com a hipótese, de forma que eles deem apoio à mesma ou a derrubem. Essa análise deve ser criteriosa desde o início, e a primeira seleção dos dados a serem analisados (sim, é comum gerar dados relevantes para a hipótese e outros irrelevantes para ela, mas que podem ser relevantes para uma outra hipótese a ser estudada posteriormente) e a relação lógica deles com a hipótese.

Após a análise, é necessário discorrer sobre a hipótese novamente. Ela foi comprovada? Foi refutada? Foi parcialmente comprovada? E o trabalho sobre essa hipótese fecha o assunto, ou permite que trabalhos futuros elaborem melhor o tema? É bom sempre lembrar-se que, a menos que você seja do nível do Stephen Hawking, seu objetivo não é fazer uma brilhante conclusão que mude a visão que a humanidade tem do mundo, mas apenas fazer um desfecho viável para o trabalho considerando as etapas anteriores e reunindo-as na conclusão.

Se observarmos isso tudo, percebe-se que deus não é um fato aos olhos da ciência, pois ele não é mensurável. Ao contrário, a definição clássica do deus abraâmico é a eternidade e a infinitude em tudo, logo, não mensurável. A ciência não comprova ou refuta deus pelo simples motivo que não o estuda. Da mesma forma, qualquer "experiência pessoal" não mensurável não pode ser estudada. Por que? Não é mensurável.

Há, na ciência, hipóteses não comprovadas ou refutadas por falta de tecnologia para realizar o experimento. Até que se possua tal tecnologia, a fase científica fica estagnada ao final da elaboração da hipótese ou no planejamento do experimento sem poder-se dar uma conclusão em relação à hipótese (uma, algumas ou todas) por não haver dados a serem analisados. Qualquer conclusão a uma hipótese sem experimento é, se as inferências lógicas forem válidas, uma conclusão filosófica. Possui, certamente, seu valor; mas não é científica.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Diferença entre Teologia, Filosofia e Ciência

É muito comum não se entender a diferença entre Teologia, Filosofia e Ciência, colocando tudo no mesmo balaio, ou tentando determinar uma como maior que a outra, mas sem argumentos com qualquer sustentação, tentando provar que uma é superior à outra per se.

A real diferença entre os três sistemas não é de onde eles vem ou da fé, mas da estrutura que é utilizada para chegar às conclusões. Para falar de conclusões é necessário determinar como se chega a uma, e o campo que estuda isso é a Filosofia, mais especificamente na área da Lógica.

Para não ficar enfadonho ou grande demais, usarei aqui o Silogismo Aristotélico, uma das formas mais simples da Lógica Fomal. Utilizarei apenas 3 termos: Premissa, Inferência Lógica, e Conclusão.

Significados Simplificados:
 - Premissa são as afirmações (positivas ou negativas) das quais se inicia o cálculo lógico, e seus atributos são verdadeiro e falso.
 - Inferência Lógica é o cálculo lógico propriamente dito, e seus atributos são válido e inválido.
 - Conclusão é a afirmação (positiva ou negativa) resultante do cálculo lógico consideradas as premissas, e seus atributos são verdadeiro e falso.

A estrutura básica de um Silogismo Aristotélico é:

Premissa Geral
Premissa Específica
Inferência Lógica
Conclusão

O exemplo mais usado é o que se segue:

Todo homem é mortal. (Premissa Geral)
Sócrates é homem. (Premissa Específica)
-------------------------------- (Inferência Lógica)
Logo, Sócrates é mortal. (Conclusão)

O estudo da lógica está tanto na veracidade das premissas, quanto na validade do cálculo lógica e, consequentemente, na veracidade da conclusão.

Assim, se a premissa é falsa, ou não pode ser verificada, ainda é possível verificar a validade da inferência lógica. Por exemplo, no seguinte silogismo,

Todo inseto tem 4 patas. (Premissa Geral - FALSA)
O besouro é um inseto. (Premissa Específica - VERDADEIRA)
-------------------------------- (Inferência Lógica - VÁLIDA)
Logo, o besouro tem 4 patas. (Conclusão - FALSA)

Temos que a inferência lógica é verdadeira, mas a conclusão falsa devido à não veracidade de uma premissa. Da mesma forma, em:

Todo inseto tem 4 patas. (Premissa Geral - FALSA)
O besouro é um inseto. (Premissa Específica - VERDADEIRA)
-------------------------------- (Inferência Lógica - INVÁLIDA)
Logo, o besouro tem 6 patas. (Conclusão - VERDADEIRA)

Vê-se que um erro na inferência lógica pode gerar qualquer um resultado verdadeiro, mas também pode gerar um falso, como em:


Todo inseto tem 4 patas. (Premissa Geral - FALSA)
O besouro é um inseto. (Premissa Específica - VERDADEIRA)
-------------------------------- (Inferência Lógica - INVÁLIDA)
Logo, o besouro tem 8 patas. (Conclusão - FALSA)

Mas qual a relação disso com a Teologia, a Filosofia e a Ciência? A relação é o que cada uma exige para ser aceita pelos seus pares. Veja a tabela que se segue:


-->

COMPROVAÇÃO DE PREMISSA
INFERÊNCIA LÓGICA VÁLIDA
TEOLOGIA
NÃO EXIGE
NÃO EXIGE
FILOSOFIA
NÃO EXIGE
EXIGE
CIÊNCIA
EXIGE
EXIGE


E essa é a grande diferença: a exigência necessária para ser aceita pelos pares. É por isso que, muitas vezes, estudiosos dos três não se entendem. O filósofo e o cientista exigem cálculos lógicos válidos sempre, e uma inferência lógica inválida, em qualquer nível, invalida a conclusão final até que ela seja consertada. Filósofos que gostam de trabalhar com premissas comprovadas tendem a trabalhar com premissas negativas de coisas que já foram provadas falsas. É importante notar que não há proibição de se trabalhar teologia com premissas comprovadas e/ou inferências lógicas válidas, ou filosofia com premissas comprovadas, mas que isso não é exigido pelos pares que farão a crítica e validarão o argumento. No caso da Filosofia, vale lembrar, também, que a premissa, apesar de não precisar ser comprovadamente verdadeira, ela não pode ser comprovadamente falsa.

Isso também gera em quem exige inferências lógicas válidas uma repulsa a vários argumentos religiosos, mas não necessariamente uma repulsa à religião. Religião é baseada em fé, não em lógica, e na maioria das vezes que se envereda pelos campos da lógica, tende a não se adaptar e não demonstrar o que queria, pois tal demonstração só é possível pela fé, não pela lógica, isso porque ou parte de premissas sabidamente falsas, ou uma inferência lógica válida chega a uma conclusão contrária ou incompatível da pretendida ou há uma ruptura proposital da premissa em função de favorecer uma argumento. Um bom exemplo disso é uma parte do Argumento Cosmológico de São Tomáz de Aquino.

Diz ele que tudo o que existe tem uma causa, logo o universo tem uma causa e se toda a relação de causalidade for levada ao início e toda a cadeia de causa-consequência for explorada chegar-se-á à causa primeira de tudo, a qual não teve uma causa, e à qual São Tomás de Aquino chama de deus. Ou seja, o argumento causa-consequência vale para tudo, EXCETO para o que ele quer provar. O problema desse argumento é que ele torna falsa a premissa de que tudo tem uma causa, uma vez que deus não tem uma. Pela filosofia, ou tudo tem uma causa, e deus tem uma, ou quase tudo tem uma causa, e deus pode não ter uma, assim como o universo também pode não ter uma. Nenhum tipo de lógica, desde o silogismo aristotélico mais simples até as mais complexas lógicas simbólicas, aceita esse tipo de exceção a uma premissa.

Assim, antes de misturar as coisas e chamar teologia de filosofia ou filosofia de ciência, é importante pensar: o argumento preenche os requisitos necessários para ser validado pelos pares?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Normal

Era uma pessoa assim, normal.

Acordava todo dia cedo, lutava contra o relógio de cinco em cinco minutos durante meia hora ou mais para levantar. Tomava um banho rápido, café da manhã, escovava os dentes e saia para o trabalho nunca depois das sete horas e quinze minutos, como é normal.

Ia ao ponto de ônibus e esperava uns dez minutos pela lotação lotada, normal, e ia em pé na maior parte dos seus cinquenta e cinco minutos de viagem ao trabalho, isso por que morava a uma distância normal do trabalho, algo que daria uns quarenta minutos caso fosse a pé. É o engarrafamento que hoje é, assim, normal.

Tinha a sorte de pegar o trabalho às oito horas e trinta minutos, e trabalhava normal a manhã toda, sem muito afinco, mas também sem preguiça. Às doze horas e trinta minutos saia para seu almoço como as pessoas normais fazem, e sempre escolhia entre comida a quilo ou o p.f. da região, ambos normais, nem bons, nem ruins, com preço condizente.

Após sua uma hora e meia de almoço, volta à empresa devidamente cafeinado, como é normal. No início da tarde dava até uma preguiça da barriga cheia e o corpo querendo um pequeno descanso para  fazer a digestão melhor. Depois voltava ao ritmo normal que executa durante as manhãs.

Faltando cinco minutos para as dezoito horas, arrumava sua mesa e desligava o computador, de forma que saísse às dezoito horas, como era normal. Às vezes fazia hora besta, que é como se chamam as horas extras que não são pagas, como é normal.

Antes de ir pra casa, sempre passava em um supermercado ou alguma loja de departamento para comprar coisas que precisava. Sempre pouco. Comida, roupa, toalha, utensílios domésticos, de vez em quando um móvel, mas tudo, assim, normal.

E, então, pegava o ônibus da volta pra casa que, nesse horários, entre as dezoito horas e trinta minutos e dezenove horas, é sempre mais lotado que de manhã, e também demora mais para chegar ao ponto e bem mais no trajeto, de forma que entre chegar no ponto e chegar em casa passavam-se mais de duas horas, mas isso, como sabemos, é normal.

E então, chegando em casa, fazia meia dúzia de quatro afagos no cachorro que festejava, dava um beijinho no conjugue, e sentava para ver TV, sem se importar com o que estava passando, fosse novela, futebol, jornal ou algum programa de variedades, e fazia isso de uma forma, assim, normal.

Depois tomava um lanche, um banho e ia pra cama dormir seu sono normal. E seu sono lhe trazia sonhos sem muitos elementos estranhos, sem locais longínquos, sem personagens fortes, sem grandes feitos e sem esperanças demasiadas. Sonhos que mal se diferiam da sua vida, assim, normal!

P.S.: p.f. significa "prato feito".
P.P.S.: P.S. significa post scriptum.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Erros de MS Windows e MS-Office

Muitas pessoas perguntam o porque de porque o MS-Windows e o MS-Office dão tantos erros. Eu tenho 3 respostas para isso.

A primeira resposta, e muito comum, é porque o computador, o hardware, o equipamento, foi mal dimensionado para rodar todos os programas que se precisa. Assim, fica lento e a probabilidade de erros é maior pelo uso excessivo os recursos de hardware. Como analogia, é como carregar 15000Kg em um caminhão projetado apra 10000Kg. Pode funcionar, mas a chance de se ter problemas é alta.

A segunda resposta, e a mais comum, é o não licenciamento do software. Coloca-se o MS-Windows e o MS-Office com "licença" pirateware e, depois, roda-se um programa "ativador" cuja única função é fazer o MS-Windows e o MS-Office se entenderem como originais. Ou seja, você propositalmente roda um programa feito para fazer seu computador funcionar de forma errada. Um programa feito para fazer um computador funcionar de forma errada tem um nome específico: vírus de computador. Em outras palavras, você mesmo instala um vírus nele. Um vírus cuja procedência você desconhece e não sabe o que mais ele faz. E você fica feliz com isso, pois economizou alguns reais.

A terceira resposta é a que eu dou quando o hardware está bem dimensionado e TODO software instalado é original: eu não sei. Entendam: a Microsoft não libera o código fonte do MS-Windows ou do MS-Office para auditoria da comunidade. Ao não fazer isso, ela impede que os motivos dos erros sejam conhecidos. Isso faz parte da cultura e da estratégia dela. É uma estratégia válida e legal, apesar de impedir as pessoas de saberem o que de fato aocntece em um computador que execute o MS-Window e o MS-Office. A única coisa que de fato sabemos é que um computador bem dimensionado e com TODOS os softwares legalizados dá, sim, menos erros. E MUITO menos erros. Isto é factual. 

Em outras palavras, não investir em estrutura computadocional, adquirindo equipamentos bem dimensionados e com softwares legalizados é um risco ao seu negócio e à segurança dos seus dados.

Se seus dados pessoais ou empresariais não têm valor, tudo bem. Se possuem qualquer valor, é preciso rever sua política em relação à informática.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Custos da TI

Já a 3 anos, um pouco mais na verdade, eu trabalho na área de Tecnologia da Informação (TI) com suporte, projetos e consultoria. Nesse tempo, eu percebi a dificuldade que o micro e o pequeno empresário brasileiro tem de entender os custos e os riscos da TI. E sei que isso não vem de agora.

O Brasil sofre de uma cultura da ilegalidade muito forte. Tudo o que puder ser roubado, todo trabalho que puder não ser pago, será roubado, não será pago. Além disso, há a cultura do "jeitinho", como se tudo pudesse ser consertado por um baixo custo e funcionar tão bem quanto novo. Não a toa o carro preferido dos brasileiros era, ou ainda é, o fusca que, com uma chave de fenda, uma caneta BIC,um rol ode fita crepe e um rolo de barbante, era facilmente "consertado" e andaria por mais 10 ou 15 quilômetros.

Isso poderia funcionar bem se tudo o que você queria era ir na feira da praça com sua família. Mas nunca funcionou se vocÊ de fato precisava do fusca pra trabalhar. O conserto precisaria ser profissional, para que ele andasse milhares de quilômetros sem dar outro problema. Quero dizer, não no Brasil. O conserto semi-profissional, que te levava ao "mecânico" que sempre "resolvia" seus problemas a cada 2 meses era o preferido, pois tinha baixo custo e peças usadas, também de baixo custo.

O mesmo acontece com a TI. O problema é que, quando você depende do computador para trabalhar, ele não pode ser um risco, ou seja, você não deve "gambiarrá-lo". Computadores, como qualquer equipamento, desgasta e tem vida útil. Apesar do desgaste não ser visualmente perceptível, ele ocorre em níveis microscópicos, devido ao aquecimento (efeito joule) causado pelo atrito dos elétrons correndo pelos condutores. Além desse desgaste que é, de fato, inevitável, ainda há o desgaste por sobretensão, uma vez que é comum não haver protetores contra surtos na caixa de disjuntores (alguns lugares nem possuem disjuntores) e no prórpio computador, ficando tudo a cargo de um filtro de linha ou um estabilizador de tensão que ajudam, mas não são suficientes.

E mesmo que sua estrutura elétrica seja perfeita, há o desgaste natural. As empresas que produzem os melhores computadores trabalham com vida útil de 5 anos. Em outras palavras, das melhores empresas espera-se que um computador trabalhe por 5 anos e qualquer tempo além disso é "hora extra". De empresas boas espera-se 4 anos e de máquinas montadas em lojas 3 anos, isso se as peças forem de qualidade. Nesse sentido, não recomendamos a aquisição de nenhum computador cuja garantia seja inferior a 3 anos.

Não recomendamos porque consideramos o tempo de vida real do equipamento o da garantia, mesmo que ele possa durar mais, e provavelmente o fará, não há garantia; e isso impacta no custo. Para explicara isso, faremos contas simples. A conta é a divisão do custo pelas horas de trabalho do tempo de uso garantido pelo fabricante. As máquinas possuem a mesma configuração, variando apenas a garantia:

Processador: Intel i3 2120
Memória RAM: 4GB
Disco Rígido: 250GB
Placa de Vídeo: Intel HD 2000 Integrada
Sistema Operacional: Windows 7 Professional
Suíte de Escritório: MS Office Starter Edition
Teclado e Mouse

Dados Temporais:
1 ANO = 252 DIAS ÚTES
1 DIA ÚTIL = 8 HORAS

Valores:
R$1717,00 para 3 anos de garantia
R$1801,00 para 4 anos de garantia
R$1883,00 para 5 anos de garantia
(Como a cotação foi realizada em 20/04/12 em um empresa séria, focada em público corporativo, não havia garantia inferior a 3 anos para o equipamento)

       | TOTAL | ANO  |DIA |HORA|% HORA|
3 anos |1717,00|572,33|2,28|0,29| 100% |
4 anos |1801,00|450,25|1,79|0,23|79,32%|
5 anos |1883,00|376,60|1,50|0,19|65,52%|
(Os resultados foram sempre arredondados para cima)

O computador é bem dimensionado para a maioria dos trabalhos adminsitrativos e contábeis, sendo necessário, em alguns casos, apenas a aquisição de um pacote de suíte de escritório com mais ferramentas e estima-se que não precisará de upgrades por 5 anos. Para empresas com menos de 10 computadores é possível utilisar o MS Security Essentials como antivírus gratuito.

O custo de estrutura de R$0,29/hora para um computador de qualidade completamente legalizado, a tranquilidade e a garantia de funcionamento é baixo, pois ele diminuirá as horas sem trabalho por manutenção do computador, permitirá melhor alocação da equipe de TI, seja interna ou terceirizada.

O que falta ao brasileiro não é a competência técnica na área de atuação da empresa, mas profissionalismo administrativo, levando em conta não apenas custos, mas também os riscos, o fluxo de trabalho e o bem estar daqueles que de fato realizam os trabalhos, ou seja, os empresários. Investimentos em TI de qualidade proporcionam melhor ambiente de trabalho, redução de custos, diminuição de riscos, melhoria do fluxo de trabalho e melhor alocação de recursos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Irresponsabilidade Religiosa

Como eu sempre deixei claro, eu sou ateu. Considero que considerar (ficou bonito, heim?) a capacidade racional e de percepção de passagem do tempo humana como "alma imortal" é um erro grotesco. Mas para esse post em específico eu considerarei que a alma, no sentido religioso, existe e que ela é imortal e eterna. Por eterna eu considero no entendimento literal da palavra ou como proporção em relação ao tempo de vida. Se sua religião considera que todo o universo e as almas são destruídos quando o deus que sonha o universo acorda, considero que uma existência terrena de 100 anos (sim, exagerado para cima) é uma mera partícula na existência de 13.000.000.000 de anos do universo, tornando a alma eterna em relação a uma existência carnal, ou seja, a única que pode-se ter certeza absoluta.

Então, clarificado que, para esse post, considero verdadeira a existência carnal de 100 anos de E a existência de uma alma eterna, darei sequência à explanação.

Quando seu corpo, cujo tempo de existência é insignificante em comparação ao tempo de existência de sua alma, tem um problema, você procura um médico. Pensemos porque procura-se um médico, ou seja, o que é um médico.

Médico é uma pessoa que estudou para conhecer os sintomas, as doenças e o tratamentos a essas doenças. O médico que você procura não apenas estudou 6 anos na universidade como, em vários casos, fizeram especializações (residências) de, ao menos, 2 anos. Ou seja, no Brasil, um Clínico Geral estudou 8 anos para te atender. O que ele estuda? Estuda o resultado de pesquisas científicas sobre a anatomia humana e de patógenos, suas regularidades e irregularidades e dos tratamentos. Parte desses tratamentos são remédios alopáticos, estudados e criados por químicos, médicos e farmacêuticos. O remédio alopático é aprovado quando o grau de sucesso percentual no tratamento substancialmente maior que o resultado do tratamento com placebo.

Em outra palavras, você procura um profissional cuja profissão é EMBASADA em PESQUISAS CIENTÍFICAS que demonstram que a conjunção de determinados sintomas são sinais de uma determinada doença que é melhor tratada por um determinado remédio, isso tudo com comprovações estatísticas acessíveis.

Já quando você decide cuidar de sua alma eterna, quais são suas exigências? NENHUMA! Você não exige que aquele que tenta te convencer que aquela é a verdade te mostre dados confiáveis. Darei um exemplo mais claro:

Suponhamos que todas as religiões do mundo se resumam a 3: cristianismo, islamismo e espiritismo. Então, a escolha de uma dessas religiões determina o que acontecerá com você, considerando que só possa existir uma religião verdadeira.

No caso, eu escolhi, de propósito, duas religiões que possuem inferno e uma reencarnacionista. No caso, você tem apenas 33,33% de chance de não condenar sua alma eterna ao inferno, ou seja, escolhe a religião verdadeira. Apenas para dar um pequeno vislumbre, dê uma olhada na lista de religiões e na lista de mitologias da Wikipedia. Se você considerar apenas essas possibilidades como as que existem ou já tenham existido e que todas as que existem e que já tenham existido tenham sido registradas, então, considerando apenas as 45 religiões abraâmicas listadas, sua chance de escolher a correta é de 2,22%, ou seja, você possui 97,78% de chance de escolher a religião errada. Em outras palavras, você possui 97,78% de chance de estar cuidando de uma forma muito imprópria de sua alma imortal. E a menos a religião verdadeira seja o Espiritsmo, o Cao Dai ou o Iazdânismo que são as únicas religiões reencarnacionista das 45 citadas na lista de religiões, você simplesmente não terá uma segunda chance de acertar. Em resumo, se uma dessas 3 não forem a religião verdadeira, você tem realmente apenas 2,22% de chance de ir para o local que vão aqueles que deixam deus irado,

E como se escolhe a religião que se seguirá? Ou segue-se a dos pais, ou busca-se aquela cujos dizeres mais te contenta. Mas, em qualquer um desses casos, não se possui a menor indicação, seja probabilística ou lógica, de estar-se fazendo a escolha pela religião verdadeira.

A Irresponsabilidade Religiosa que dá nome a este post encontra-se exatamente no fato e exigir testes e comprovações para cuidar de algo que dura 100 anos (o corpo), mas exigir exatamente nenhum tipo de teste ou comprovação para cuidar de algo que dura eternamente. E isso é uma irresponsabilidade ENORME em relação a si mesmo.

Cabe a cada religioso confrontar seu sacerdote ou seu livro sagrado por esses dados, testes e comprovações. Se o confronto não resultar na demonstração factual de ser a sua religião a verdadeira, continuar nela passa a ser nada mais que um ato de irresponsabilidade com sua alma eterna.