terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Índice da Incompetência Pública

Com as cotas bombando de um lado a outro com a desculpa furada de "compensação histórica" a quem nunca, de fato, sofreu com a escravatura. Que o racismo e o sexismo existem e acontecem no Brasil é um fato, e que ele acontece de ambos os lados é outro fato. Outro fato é que, em um país miscigenado, ser beneficiado ou não pelas cotas que julgam pela cor da pele faz parte de uma loteria genética.

Mas hoje falarei de duas cotas específicas: a social e a racial. Mais especificamente, escreverei como a UFMG aplica elas. Isso porque a UFMG não faz separação de vagas para os cotistas, mas oferece bônus na nota do vestibular. Então vejamos como funciona no Edital do Concurso Vestibular 2013:

No Título III, "Do Programa de Bônus", que começa na página 4 e termina na página 6, a UFMG determina como funcionará. Basicamente é um sistema de acréscimo de nota numa medida percentual da nota efetivamente conseguida e se dá em três opções:
a) Não optar pelo Programa de Bônus;
b) Optar pelo Programa de Bônus para quem cursou os 4 últimos anos do ensino fundamental e o ensino médio completo em escola pública (há um dispositivo nesse caso para o EJA);
c) Optar pelo Programa de Bônus para quem, além de preencher os requisitos do item b), ainda se autodeclarar pardo ou preto*.

No caso da opção b), há acréscimo de 5% na nota da primeira etapa e de 10% na nota da segunda, e pela opção c), acréscimo de 7,5% e 15% respectivamente, sendo que, para a opção c), é preciso entregar uma declaração que o edital diz que está disponível no site da COPEVE que eu não achei.

O que podemos analisar desse edital?

- Primeiro que a UFMG oferece cotas sociais que podem ser potencializadas por questões raciais;
- Segundo, que a escola pública é 5% pior em questões objetivas e 10% pior em questões analíticas;
- Terceiro que o pardo e o preto* são 2,5% pior que seus colegas não-pardos e não-pretos* em questões objetivas e 5% em questões analíticas;
- Quarto que alunos que cursaram escola particular são 7,5% melhor em questões objetivas e 15% em questões analíticas que pardos e pretos* que cursaram escola pública;

Eu confesso minha ignorância de como a UFMG chegou a esses percentuais, mas sei que eles possuem dados e que, talvez, o cruzamento desses dados indiquem que esse percentual seja suficiente para que adentrem à UFMG a porcentagem-meta de alunos oriundos de escolas públicas e que, dentro dessa meta, haja uma outra meta de alunos pardos e pretos*.

O que ninguém parece ver é que tais vagas serão ocupadas, especulo eu, em sua maioria por filhos de militares (colégio militar) e filhos de funcionários da UFMG (Colégio Pedagógico e Colégio Técnico), que, juntamente ao CEFET, formam o tripé da educação pública de qualidade em Belo Horizonte e que, juntamente com outros Colégios de Aplicação, como o da UFV, educam a maioria dos alunos ingressantes em universidade públicas brasileiras que são oriundos de escolas públicas.

Mas o que é de fato interessante é que a UFMG, ou seja, a união através da UFMG oferece uma porcentagem clara da defasagem da escola pública em relação à privada.

Agora, resolver o problema e injetar recurso na educação básica ninguém quer, mesmo já sabendo qual é o índice da incompetência pública!

*Reprodução literal do termo usado pela UFMG: "No ato da inscrição, alternativamente, o candidato que atenda aos requisitos citados no parágrafo anterior e, além disso, se autodeclare pardo ou preto poderá fazer opção por concorrer ao Programa de Bônus de 7,5% (sete vírgula cinco por cento) em sua nota final de primeira etapa e de 15% (quinze por cento) em sua nota final de segunda etapa do Concurso Vestibular UFMG 2013." (UFMG. Edital do Concurso Vestibular 2013. Página 4. Disponível em <http://web.cpv.ufmg.br/Arquivos/2012/Edital_do_Vestibular_2013.pdf>. Acessado em 16/10/2012)
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