quarta-feira, 8 de maio de 2013

Por que eu sou ateu?

Recentemente eu recebi a seguinte resposta a um comentário meu no youtube:

"Respeito seu modo de vida. Gostaria de lhe fazer uma pergunta, ja que ate agora nunca encontrei um ateu de verdade, queria saber o motivo de não acreditar em Deus? Algum motivo em especial? Responda se quiser e tiver tempo. Sempre quis saber saber a opinião e os motivos das pessoas em tomar decisões em suas vidas."

A verdade é que, como todo mundo, eu nasci ateu. Fazer parte de uma religião e crer em algum(s) deus(es), principalmente um deus específico, é uma coisa aprendida.

Quando nascemos, não possuímos linguagem desenvolvida o suficiente para entender os conceitos da linguagem verbal humana. Certamente possuímos uma linguagem, expressada principalmente por expressões faciais, riso e choro; mas essa linguagem não é suficientemente desenvolvida para comportar conceitos abstratos complexos, como o conceito "deus".

No meu caso, sou ateu por uma questão simples: quando criança não me ensinaram que esse era um conceito a ser seguido, e quando adolescente e adulto, toda e qualquer tentativa de explicação trombava com a realidade de forma catastrófica: ou o conceito ensinado era demasiadamente ilógico, ou possuía falhas grotescas ou se incompatibilizava com uma outra crença, que também se entende a única verdadeira, sem haver uma solução para o impasse.

O afastamento da realidade conhecida e das possibilidades plausíveis fez de todo o ensino de religião a mim dirigido algo sem completamente sentido.

Eu consigo compreender bem a crença em um ente consciente e criador, que criou o universo no qual vivemos e suas regras, as quais pesquisamos através do método científico, ou seja, eu entendo os deístas.

Mas confesso a enorme dificuldade em compreender os teístas, que acreditam em um deus pessoal cuja personalidade e desejos se conhece por livros sagrados ou por tradição oral. São exemplos de teísmos praticados em larga escala o cristianismo, o islamismo, o judaísmo, o budismo e o hinduísmo.

Enquanto no caso do deísmo existe uma plausibilidade, apesar de improvável, no caso dos teísmos nem isso há. Eles se anulam mutuamente: se um é verdadeiro, o outro não é. E ser mais antigo ou mais praticado não é prova de veracidade.

Assim, sou ateu porque não fui ensinado quando a lógica me era pouca (quando criança), e quando ela se desenvolveu um pouco, nenhuma explicação foi capaz de fazer sentido.
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