quarta-feira, 19 de junho de 2013

De quem é a culpa?

Sim, esse texto procurará culpados. E, não, não falarei dos políticos e administradores públicos, muito menos do povo que os coloca lá, meu alvo preferido. Farei uma análise de um grupo de profissionais que possuem uma ENORME responsabilidade social, mas se abstém de exercê-la: os jornalistas.

Sim, a culpa é da imprensa. A despeito do povo colocar lá políticos incompetentes e/ou corruptos, a culpa é, sim, da imprensa! É ela que tem o dever de anunciar com tom de gravidade aquilo que atinge negativamente a sociedade. É ela quem tem o dever de informar a população o que acontece, e não informar à população o ponto de vista dos governantes.

Caso os jornalistas tenham esquecido, informar à população o que aconteceu é o dever de uma imprensa livre. Se não faz isso, não pode se chamar de livre.

Imprensa livre denuncia que o governo federal emitiu uma medida provisória (MP) que pode diminuir o valor da passagem e questionar, constante e insistentemente, os sindicatos patronais da área E os poderes públicos responsáveis pelo valor. Mesmo que uma MP tenha validade e possa ser revogada pelo congresso, TODA renúncia fiscal que possa beneficiar o povo DEVE beneficiá-lo. Deve perguntar por que aquilo que foi feito para facilitar a vida do cidadão e permitir uma tarifa menor é usado APENAS para aumentar o lucro de alguns poucos.

Imprensa livre é aquela que, quando há um decreto como o chamado "Bolsa Copa", denuncia incessantemente até que ele seja revogado.

Imprensa Livre questiona das formas mais enfáticas o conteúdo da PEC 37 junto aos legisladores.

Imprensa livre questiona por que os governos tratam protesto como distúrbio civil e envia o Choque ao invés de tratar como manifestação de pensamento e enviar negociadores.

Imprensa livre mostra mais os abusos da polícia que os abusos dos manifestantes.

Imprensa livre acompanha de perto TODOS os gastos governamentais e denuncia todos os que saem do caminho, e questiona constantemente esses erros.

Imprensa livre incentiva o povo a conhecer e exigir seus direitos.

Vemos que "imprensa livre" do Brasil nada mais é que uma imprensa que, de livre, não tem nada! Imprensa livre no Brasil, hoje, são as redes sociais. É o Youtube e o Vimeo onde foram postados os vídeos. Facebook e G+. Os blogs e o vlogs.

Quanto maior o veículo de comunicação, mais culpado ele é.

A culpa é dos jornalistas!

sábado, 8 de junho de 2013

Estatuto do Nascituro

Eu fico imaginando até onde vai a estupidez humana. Eu já perdi a capacidade de ficar triste com ela: hoje eu dou risada; e também perdi a capacidade de me surpreender com ela: eu já percebi que um passo depois do outro vamos mais fundo no poço (se é que já não começamos a cavar).

O referido estatuto começa mal desde o segundo artigo. Vejam:

"Art. 2º - Nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido.

Parágrafo único - O conceito de nascituro inclui os seres humanos
concebidos “in vitro”, os produzidos através de clonagem ou por outro meio científica e eticamente aceito."

Percebam que, se o ser humano não foi concebido pelo sexo, "in vitro" ou pela clonagem, só será protegido SE, e somente SE, o outro método científico usado for eticamente aceito. Em outras palavras, se for criada uma forma de concepção diferente da "in vitro" e da clonagem, e esta não for eticamente aceita, não haverá proteção ao nasciturno. Isso, por si, contradiz o primeiro artigo: "Art. 1º - Esta lei dispõe sobre a proteção integral ao nascituro". O segundo artigo automaticamente invalida o primeiro por limitar a proteção que deveria ser integral.

Um outro fator importante, é que, como considera o óvulo fecundado "in vitro" ainda não inserido no útero da mão como nasciturno protegido, o estatuto considera o óvulo fecundado como  ser humano "concebido". Guardemos esse conceito para usá-lo depois.

Vamos ver a beleza do art. 4:

"Art. 4º - É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar ao nascituro, com absoluta prioridade, a expectativa do direito à vida, á saúde, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão."

Isso significa que, se a mãe, aos 2 meses de gravidez, descobrir que sua própria chance de sobrevivência à gravidez é 0%, mas que o aborto a manteria viva, e que o nasciturno tem apenas 1% de chance de vida se a gravidez for levada até o fim, "é dever da família, da sociedade e do estado" manter a gravidez, matar a mãe e apostar tudo, "com absoluta prioridade", e, com isso, condenar a mãe por uma chance ínfima da "expectativa do direito à vida".

E o art. 9 corrobora com o 4 quando diz que ele não pode ser discriminado por "probabidade de sobrevida", ou seja, não pode-se discriminá-lo em relação à mãe por isso:

"Art. 9º - É vedado ao Estado e aos particulares discriminar o nascituro, privando-o da expectativa de algum direito, em razão do sexo, da idade, da etnia, da origem, da deficiência física ou mental ou da probalidade de sobrevida."

Já o art. 11 prioriza os pais, pois exige, em seu §1 o consetimento deles para o diagnóstico pré-natal. Ou seja, aqui o direito do nasciturno às técnicas oferecidas pelo SUS pode ser barrada pela vontade dos pais, o que se contrapõe diretamente ao art. 4, que diz ser dever do estado, entre outros, a saúde do nasciturno.

"Art. 11 - O diagnóstico pré-natal respeitará o desenvolvimento e a integridade do nascituro, e estará orientando para sua salvaguarda ou sua cura individual.
§ 1º - O diagnóstico pré-natal deve ser precedido do consentimento dos pais, para que os mesmos deverão ser satisfatoriamente informados.
§ 2º - É vedado o emprego de métodos de diagnóstico pré-natal que façam a mãe ou o nascituro correrem riscos desproporcionais ou desencessários."

O art. 15 tenta corrigir ao §1 do art. 11, ou seja, se os pais não consentirem o diagnóstico pré-natal, importante para a saúde do nasciturno, o Ministério Público requererá ao juiz, basicamente, que obrigue o diagnóstico.:

"Art. 15 - Sempre que, no exercício do poder familiar, colidir o interesse dos pais com o do nascituro, o Ministério Público requererá ao juiz que lhe dê curador especial."

Já o art. 23 coroa a ignorância brasileira sobre os fatos da ciência:

"Art. 23 – Causar culposamente a morte de nascituro.
Pena – detenção de 1 (um) a 3 (três) anos.
§ 1º A pena é aumentada de um terço se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.
§ 2º - o Juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária."

Observem: como eu disse antes, o óvulo fecundado é ser humano concebido. O Código Penal Brasileiro define:

"Crime culposo
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia."

Em outras palavras: é criminosa toda mulher que, caso haja em sua menstruação óvulos fecundados que não aderiram ao útero, não os acolher, armazenar adequadamente, dirigir-se a um centro de fecundação artificial e utilizá-los em fecundação artificial garantindo, assim, "a expectativa do direito à vida" garantida pelo estatuto. Será obrigação da toda mulher garantir que todo e qualquer "ser humano concebido" em seu interior receba os mesmos direitos, não podendo discriminá-los pela sua "probalidade de sobrevida".

Para quem acha que o exemplo anterior é fantasioso, lembrem-se que é criminosa toda mulher que sofrer um aborto espontâneo por ter, erradamente, medido o peso de uma sacola de compras e levar mais peso do que deveria. Isso é negligência e, portanto, temos uma criminosa.

Caso ela não sabia que está grávida, digamos, de umas 3 semanas, beber muito, sofrer um aborto espontâneo, for ao hospital e for diagnosticado o aborto, então ela é uma criminosa.

E a melhor de todas: se ela sabe que vai morrer se não abortar, e os médicos se recusarem a realizar o aborto por não quererem problemas com a lei, e ela provocar um aborto para continuar viva, ela é uma criminosa. Claro que, numa situação de vida ou morte, sendo ameaçada por um bandido, ela poderia ser beneficiada por ter cometido o crime em legítima defesa. Se o Estatuto do Nasciturno for aprovado, essa alegação não será válida.

Então, antecipando a aprovação e a sanção presidencial ao projeto de lei:

Parabéns às mulheres, os mais lindos futuros vasos descartáveis do Brasil!


Fontes:

terça-feira, 4 de junho de 2013

Apple, a queda de um império

Nas décadas de 2000 e 2010 a Apple se tornou um império tecnológico graças a análise de mercado, recorte de público alvo, publicidade e desenvolvimento tecnológico.

Sua estratégia era pautada em um equipamento de ótima qualidade, design clean e arrojado, boa usabilidade, gadgets únicos e culto ao líder.

Pois bem, o líder morreu e não houve substituto e os gadgets não são mais únicos.

Os demais itens da estratégia continuam, mas de que vale um equipamento assim se, por um valor próximo, tenho na concorrente um equipamento com os mesmos elementos e que aceitam mais formatos e me dão mais liberdade de ação?

As eras iPod, iPhone e iPad ficaram para trás com a entrada de grandes players no mercada, os quais oferecem ótimas opções, para várias culturas e bolsos.

Muito se diz da Apple como grande empresa na bolsa, mas é bom lembrar que, para a empresa, a bolsa só tem vantagem quando ela vende suas próprias ações. A partir daí, o que acontece na bolsa tanto faz. É a relação faturamento/custo e a quantidade de vendas que mantem a empresa.

E o que a Apple tem? Menos de 10 produtos. iPod, iPad, MacBook, Mac e iPhone, roteador sem fio e alguns assessórios com poucas opções em cada uma dessas? A grande maioria de alto custo financeiro e pouca interoperabilidade com outros sistemas?

A Apple sempre teve a intenção de vender muito para poucos, e se mantém fiel a isso. Isso não seria um problema se ela tivesse a capacidade de manter as pessoas interessas em seus produtos. Porém, isso acontecia lançando produtos únicos ou, ao menos, que fossem os únicos que funcionassem bem em um determinado ramo.

Mas seu último lançamento assim foi o iPad, e isso fazem mais de 3 anos! Agora fala no iWatch. Mas, vejam, a Sony tem o seu SmartWatch, que sincroniza com todos os seus smartphone e inúmeros smartphones que rodam Android de várias concorrentes. Então ela faria o que? Um óculos conectado? Algo como o Google Glass?

Se a Apple não se apressar e lançar algo único, que só ela tem, seu império tecnológico ruirá e ela se tornará, na melhor das hipóteses, apenas mais uma empresa a oferecer um bom equipamento.