segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O Mercado apóia o Candidato X

MENTIRA!!!

Antes de mais nada, vamos definir "mercado". Mercado é o conjunto das relações comerciais de uma sociedade. É simples assim. Ou seja, "mercado" não é um ser senciente para poder apoiar ou não alguém.

Não se engane com o que os criadores dessa retórica ridícula querem. eles querem te convencer que alguns grande investidores em bolsas de valores são os únicos responsáveis pelo que chamamos de "mercado".

Então vejamos o que é uma bolsa de valores. Bolsa de valor é um lugar para compra e venda de ações de empresas e direitos comerciais. Nada além disso. Ela não é um termômetro para o que acontecerá com empresas. Uma vez que a empresa lançou as ações na bolsa e captou o recurso dos compradores, ela só precisa voltar à bolsa para descobrir quem são os acionistas e entregar-lhes o que lhe cabem do lucro.

Além disso, uma bolsa de valor lida com direitos comercias, principalmente no que tange mercado futuro. Isso significa que os investidores apostam, baseados em dados probabilísticos, em quanto valerá esse ou aquele produto daqui uma determinada medida de tempo. Eu posso, por exemplo, comprar a produção de laranja de uma fazenda inteira antes das laranjeiras começarem a produzir. Estou apostando que o preço da laranja será maior que aquele que pago agora, ou que a produção será maior que a média ou ambos.

Notem que independentemente do valor da ação da empresa 1, ou da produção e valor real da laranja no tempo 2, a empresa 1 continuará fabricando e vendendo seu produto e as pessoas continuarão chupando laranja.

Bolsas de Valores não são representação do mercado e o mercado não apóia ou deixa de apoiar o candidato X ou Y!

ACORDE!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Direito e Privilégio

Hoje eu vi um debate sobre a legalização da união homo-afetiva entre o Deputado Jean Wyllys e o Deputado Ronaldo Fonseca.

Num dado momento do vídeo, o Deputado Ronaldo Fonseca afirma que não há interesse real de debate da parte de quem defende essa causa homo-afetiva.

Não posso falar por outras pessoas, e falo apenas por mim. E NÃO! Eu NÃO ACEITO DEBATE sobre certas questões. E sempre será assim quando houver negação de direitos civis a qualquer grupo.

Assim como não aceito nenhum tipo de debate sobre o retorno à escravidão. Isso porque a escravidão é a negação do direito civil à liberdade a uma parcela da população. Não importa se é aos economicamente menos favorecidos, aos inimigos capturados em guerra ou às pessoas de uma cor de pele específica.

Qualquer negação de direito civil a uma parcela da população é, necessariamente, um privilégio a outra parcela. E assim é com o casamento no Brasil.

SE você é hétero-afetivo E SE você é monogâmico, ENTÃO você tem o privilégio ao casamento civil. SE você é homo-afetivo OU SE você é poli-afetivo, ENTÃO você não goza desse privilégio e será mantido à margem da lei.

Esse tratamento desigual é indigno e desumano. Por questões civis de associação por motivo afetivo, de direito de sucessão e de reconhecimento legal da instituição familiar do jeito que ela de fato é e das possíveis configurações de grupos familiares, a Constituição Federal deveria, sim, mudar:

De:
Art. 226
"§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento."
"§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher."

Para:
Art. 226
"§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre dois ou mais cidadãos como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento."
"§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente por todos os cidadãos nela envolvidos."


De:
"Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família."
"§ 2o O planejamento familiar é de livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas."
"Art. 1.567. A direção da sociedade conjugal será exercida, em colaboração, pelo marido e pela mulher, sempre no interesse do casal e dos filhos."
"Art. 1.569. O domicílio do casal será escolhido por ambos os cônjuges, mas um e outro podem ausentar-se do domicílio conjugal para atender a encargos públicos, ao exercício de sua profissão, ou a interesses particulares relevantes."
"Art. 1.571.
I - pela morte de um dos cônjuges;"

Para:
"Art. 1.565. Pelo casamento, os cidadãos voluntariamente envolvidos assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família."
"§ 2o O planejamento familiar é de livre decisão dos conjuges, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas."
"Art. 1.567. A direção da sociedade conjugal será exercida, em colaboração, pelos conjuges, sempre no interesse dos conjuges e dos filhos."
"Art. 1.569. O domicílio da família será escolhido por todos os cônjuges, mas qualquer um deles pode ausentar-se do domicílio conjugal para atender a encargos públicos, ao exercício de sua profissão, ou a interesses particulares relevantes."
"Art. 1.571.
I - pela morte de um ou mais dos cônjuges, sendo que sobreviva apenas um deles;"


E na lei Nº9.278:

De:
"Art. 1º É reconhecida como entidade familiar a convivência duradoura, pública e contínua, de um homem e uma mulher, estabelecida com objetivo de constituição de família."
"Art. 5° Os bens móveis e imóveis adquiridos por um ou por ambos os conviventes, na constância da união estável e a título oneroso, são considerados fruto do trabalho e da colaboração comum, passando a pertencer a ambos, em condomínio e em partes iguais, salvo estipulação contrária em contrato escrito."
"§ 2° A administração do patrimônio comum dos conviventes compete a ambos, salvo estipulação contrária em contrato escrito."
"Art. 7° Dissolvida a união estável por rescisão, a assistência material prevista nesta Lei será prestada por um dos conviventes ao que dela necessitar, a título de alimentos.
Parágrafo único. Dissolvida a união estável por morte de um dos conviventes, o sobrevivente terá direito real de habitação, enquanto viver ou não constituir nova união ou casamento, relativamente ao imóvel destinado à residência da família."

Para:
"Art. 1º É reconhecida como entidade familiar a convivência duradoura, pública e contínua, de um ou mais cidadãos, estabelecida com objetivo de constituição de família."
"Art. 5° Os bens móveis e imóveis adquiridos por um, alguns ou todos os conviventes, na constância da união estável e a título oneroso, são considerados fruto do trabalho e da colaboração comum, passando a pertencer a ambos, em condomínio e em partes iguais, salvo estipulação contrária em contrato escrito."
"§ 2° A administração do patrimônio comum dos conviventes compete a todos, salvo estipulação contrária em contrato escrito."
"Art. 7° Dissolvida a união estável por rescisão, a assistência material prevista nesta Lei será prestada por um ou mais dos conviventes aos que dela necessitarem, a título de alimentos.
Parágrafo único. Dissolvida a união estável por morte de um ou mais dos conviventes, os sobreviventes terão direito real de habitação, enquanto viverem ou não constituírem nova união ou casamento, relativamente ao imóvel destinado à residência da família."

Principalmente no Código Civil teria mais o que modificar, mas acho que consegui dar uma idéia geral do que deveria ser. Sem muito mais alongar o texto, deixo claro que o direito de formação de família de base afetiva da forma que os cônjuges quiserem e se entenderem NÃO DEVE SER ACEITO COMO BASE DE DEBATE.

Cada um tem o direito de ser feliz com a família que o faz feliz. E se você é contra isso, ou contra a proteção do estado a isso, mais que uma pessoa retrógrada, você é alguém que deseja impedir a felicidade alheia, ou seja, um babaca completo.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Religião e Estado. O que deveria mudar no Brasil?

Diz a Constituição da República Federativa do Brasil que ele é um estado laico. Para quem se pergunte onde diz isso, não, não é uma citação direta. Ser um estado laico significa que garante os direitos à religião e que não permite que haja união entre o estado e a religião. Isso fica claro nos artigos 5o e 19o:

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;"

"Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;"

Muitas pessoas defendem que continue assim. Eu vou além e entendo que deva haver algumas mudanças claras para a proteção do estado contra as religiões. Sim, eu entendo que o estado deve ser protegido contra instituições religiosas, pois entendo que, salvo exceções, são danosas à sociedade.

As primeiras atitudes devem ser realizadas antes de qualquer mudança constitucional ou legal, pois derivam de uma interpretação dela.

1) Extinção e proibição de legendas partidárias que tenham em seu nome ou em seu estatuto (e demais normas internas) a defesa de uma religião específica ou do conjunto de religiões ou sua totalidade. A existência de partidos como o Partido Social Cristão (PSC) é uma clara ofensa ao artigo 19, inciso I da Constituição. Isso porque a função do partido é participar e eleições e eleger governantes (de agora em diante, a palavra governante servirá para todo e qualquer eleito, seja do executivo ou do legislativo) que sigam a "Doutrina Social Cristã" que, segundo o próprio estatuto, não discrimina em questões de "credo, cor, raça, ideologia, sexo, condição social, política, econômica ou financeira" (artigo 2o, inciso I). Isso, claro, não impede o referido partido de trabalhar para negar direitos iguais a homossexuais. Porém, governantes do partido tem dito que ser homossexual é uma opção. Se é opção, pode ser entendido como ideológico e não deveria sofrer discriminação pelo partido. Isso acontece porque o estatuto é, num partido religioso, suplantado pela religião. Partidos de base religiosa seguem a religião à qual se filiam antes de mais nada e, mesmo que não seja seu objetivo, tem como resultante de sua existência o embaraçamento do estado com a religião. Podem, claro, existir exceções particulares. 

2) Cassação da candidatura ou do mandato de qualquer candidato ou governante eleito que se refira em fala oficial a qualquer tipo de religião, conjunto de religiões ou a totalidade das religiões de forma a demonstrar fé pessoal. A demonstrar sua fé pessoal em fala oficial, o governante eleito estende sua fé ao estado e acaba por embaraçar sua função à religião. O candidato que o faz declara estar disposto a embaraçar sua religião e o estado. Além disso, faz o vil uso da fé das pessoas em busca de vantagens eleitorais. Ao não cumprir a constituição, essas pessoas deveria ser enquadradas em crime de Improbidade Administrativa.

Apesar de alguns acharem que estou exagerando, vejam o que a lei LEI Nº 8.429, que gere os crimes de Improbidade Adminsitrativa, diz:

"Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:

        I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;"

Tal embaraço é proibido pela lei máxima do país, em seu artigo 19, inciso primeiro, já citado acima.

A partir de agora seria necessário novo arcabouço jurídico para poder-se instituir as medidas que sugiro:

3) Todo e qualquer instituição religiosa e culto religioso deve seguir toda e qualquer legislação vigente igualmente a qualquer outra associação. Em outras palavras, uso de alucinógenos seriam proibidos em cultos da mesma forma que são proibidos em outras práticas, bem como o sacrifício de animais em condições desfavoráveis de higiene. Além disso, pagariam impostos como qualquer outra associação. A instituição religiosa seria entendida como um mero "clube do livro" sem possuir absolutamente nenhum privilégio.

4) A item acima supõe a existência de instituições religiosas. Entendo que não deveria haver a permissão para tal. Existe uma diferença entre religião e instituição religiosa. A religião é a tentativa humana de se religar com o elemento divino. Ela é intrinsecamente uma prática pessoal, individual e intransferível. Faz parte de um sentimento, não de um cálculo lógico e, como pessoas não sentem da mesma forma, não é transferível. Sendo pessoal e não transferível, não justifica-se a existência de uma instituição controladora da prática. A formalização das religiões retiram seu caráter pessoal e desumaniza a tentativa de se religar com o divino. Quanto a afirmações como " a igreja é o maior projeto social do mundo", é bom lembrar que projeto social não é exclusividade de algumas instituições religiosas. Ser um local de encontro comunitário não é exclusividade de instituição religiosa. Instituições religiosas deveriam ser proibidas com o objetivo de garantir que a prática religiosa fosse o que é, e impedir o uso da fé para manobra de grupos.


Fontes: (por ordem de aparição)

Constituição da República Federativa do Brasil:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>
Partido Social Cristão:
<http://www.psc.org.br/>
Estatuto do Partido Social Cristão:
<http://www.psc.org.br/partido-social-cristao/documentos/estatuto>
LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8429.htm>

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Mente sã em corpo são

A máxima do Platão que dá título ao post é mais que uma frase filosófica. É uma verdade fisiológica.

Platão não tinha acesso aos conhecimentos modernos de neuroquímica, ou acesso aos sistemas endócrinos, que temos. Os anos de evolução da ciência, oriundos dos pensamentos de Aristóteles, discípulo de Platão, fazem parte de uma longa cadeia de pensadores de todas as áreas que permitiram-nos demonstrar a veracidade da frase de Platão. Se, para ele, a sanidade do ser humano era única por motivos filosóficos, para nós é única por motivos médicos.

É sabido que o excesso de peso muda o equilíbrio do corpo. Ou melhor, que o excesso de peso é um sintoma do desequilíbrio da vida de uma pessoa. Uma vez que o peso está desequilibrado, nossos sistemas começam a funcionar pior, forçamos mais os músculos e tendões, as juntas e tudo mais o que houver para forças. Com tanto esforça para manter o corpo funcionando, com tanta energia dispendida para fazer o coração bater mais forte, para produzir as enzimas necessárias, algo fica prejudicado.

E aí vem a pergunta: como pensar claramente se o pensamento ocorre no corpo e o corpo está mal? Sim, senhores, o cérebro é parte integrante do corpo e a capacidade lógica é definida por ele. Se o corpo está mal, o cérebro está mal. Se o cérebro está mal, não pensa tão claramente quanto pode. É simples assim.

Assim, há 2 anos eu tomei a decisão de mudar isso em mim. Sou obeso desde os meus 10 ano de idade. Continuo obeso. Mas muitas coisa mudaram. A que menos mudou foi o peso, mas isso não é ruim.

Mudei alimentação e procurei atividades físicas. Primeiro fui para a academia. Fiz 3 meses. Mas acho aquele tipo de exercício muito monótono e, apesar de saber ser o mais eficiente (chega-se onde quer mais rápido), parei. Fiquei 3 meses parado e, então, comecei a treinar kung Fu Louva-a-Deus 7 Estrelas e Tai Chi Chuan Yang. Durante aproximadamente 1 ano fiz bem para os cocos, bem mal feito. Mas há 6 meses comecei a levar a sério, e também comecei outra atividade: Pilates.

Hoje eu faço essas três atividades: Pilates, Tai Chi e Kung Fu. Ontem eu conversei com minha instrutora de Pilates para fazermos um controle de peso e percentual de gordura, por desconfiar que o IMC (Índice de Massa Corporal) não tem mais servido para mim. O IMC é muito útil para quem não pratica atividade física que gere ganho de massa muscular. Caso pratique, ele fica obsoleto e precisa ser substituído pelo índice de percentual de gordura.

Vamos aos dados que disponho:

05/01/2012
Peso: 88 Kg
% Gordura: 37%
Peso da Gordura: 32,56 Kg

06/01/2014
Peso: 84,2
% Gordura: 26,6%
Peso da Gordura: 22,38 Kg

Perda de Gordura: 10,18 Kg

Mais do que perder gordura, eu ganhei em saúde: não sinto mais dores na lombar (eu tenho hiperlordose), minha postura está melhor ao sentar e ao andar, sorrio mais (afinal, vivo cheio de endorfina) e, como efeito colateral desejável, tenho um ganho estético.

O que posso fazer é recomendar para todo mundo que encontre a atividade física que te faz bem, tanto para o corpo quanto para a mente, e pratique-a. Não importa se é a academia de ginástica, caminhada, arte marcial, dança de salão, aula de circo ou qualquer outra. Faça-a! 

Mantenha sempre sua mente sã num corpo são!